Publicar informações, textos, artigos relativos ao Curso de Extensão Universitária Quintas Filosóficas - "Os clássicos da Teoria Crítica da Sociedade: diálogos com a filosofia e a educação a partir de Marx" Coordenação: Profª Drª Sandra S. Della Fonte e Dr. Robson Loureiro. Promoção: Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação e Filosofia (NEPEFIL/CE/UFES)
sábado, 20 de março de 2010
Karl Marx - Apontamentos Biográficos
KARL HEINRICH MARX
Nasceu em Trier (Alemanha/ à época, cidade pertencente ao Estado da Renânia do Reino da Prússia) em 5 de maio de 1818 - Cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Trier ; http://images.google.com.br/images?hl=pt-BR&q=Trier+-+Alemanha&oq=&gs_rfai=&um=1&ie=UTF-8&ei=-uykS5ENhYq4B5Hs_O0J&sa=X&oi=image_result_group&ct=title&resnum=5&ved=0CC0QsAQwBA
Morreu em Londres (Inglaterra) em 14 de março de 1883 (64 anos)
- Família
Classe média, origem judaica.
Pais: Sua mãe, Henri Pressburg (1771–1840), era judia holandesa e seu pai, Herschel Marx (1759–1834), advogado e conselheiro de Justiça. Herschel descendia de uma linhagem de rabinos, era iluminista (conhecia de cor Lessing e Voltaire), mas se converteu ao cristianismo luterano em função das restrições impostas à presença de membros de etnia judaica no serviço público.
Irmãos: Sophie (d. 1883), Hermann (1819-1842), Henriette (1820-1856), Louise (1821-1893), Emilie (adotado por seus pais), Caroline (1824-1847) e Eduard (1834-1837).
- Trajetória escolar-acadêmica
Em 1830, Marx iniciou seus estudos no Liceu Friedrich Wilhelm, em Trier (ano em que eclodiram revoluções em diversos países europeus). Ingressou mais tarde na Universidade de Bonn para estudar Direito e, no ano seguinte, transferiu-se para a Universidade de Berlim, onde o filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel, cuja obra exerceu grande influência sobre Marx, foi professor e reitor.
- Passagem do interesse jurídico para o filosófico (o ingresso na esquerda-hegeliana)
Em Berlim, Marx ingressou no Clube dos Doutores, liderado por Bruno Bauer. Ali perdeu interesse pelo Direito e se voltou para a Filosofia, tendo participado ativamente do movimento dos Jovens Hegelianos. Em 1841, obteve o título de doutor em Filosofia com uma tese sobre as "Diferenças da filosofia da natureza em Demócrito e Epicuro".
- Abandono de pretensões à carreira acadêmica e ingresso no jornalismo
Em 1842, Bruno Bauer foi expulso da cátedra de Teologia da Universidade de Bonn acusado de ateísmo. Diante das circunstâncias e como seguidor de B. Bauer, Marx compreendeu esse acontecimento como um impedimento virtual a uma possível carreira acadêmica. Assim, tornou-se, em 1842, redator-chefe da Gazeta Renana (Rheinische Zeitung), um jornal da província de Colônia; conheceu Friedrich Engels neste mesmo ano, durante visita deste a redação do jornal.
- Exílios
A Gazeta Renana era um jornal de plataforma liberal. Marx admite, no prefácio Para a crítica da economia política (Marx, Coleção Os pensadores, v. 1, p. 28), que, ao trabalhar nesse jornal, viu-se “[...] pela primeira vez em apuros por ter que tomar parte na discussão sobre os chamados interesses materiais” [situação dos camponeses no vale do rio Mosela e debates sobre livre comércio e proteção aduaneira]. Em 1843, por censura a esse jornal, Marx teve que se exilar na França. Lá assumiu a direção da publicação Anais Franco-Alemães e foi apresentado a diversas sociedades secretas socialistas. Em 1844, Friedrich Engels visitou Marx em Paris por alguns dias. A amizade e o trabalho conjunto entre ambos, que se iniciou nesse período, só seria interrompido com a morte de Marx. Na mesma época, Marx também se encontrou com Proudhon e conheceu rapidamente Bakunin, então refugiado do czarismo russo e militante socialista. No seu período em Paris, Marx intensificou os seus estudos sobre economia política, os socialistas utópicos franceses e a história da França, produzindo reflexões que resultaram nos Manuscritos de Paris, mais conhecidos como Manuscritos Econômico-Filosóficos. De acordo com Engels, foi nesse período que Marx aderiu às ideias socialistas.
Contudo, por pressão do governo prussiano sobre o governo francês), Marx foi expulso da França, indo para Bruxelas (Bélgica) em 1845, onde ficou até 1848. Entre vários escritos elaborados em Bruxelas por Marx e Engels, encontra-se o Manifesto Comunista. Expulso de Bruxelas pelo governo belga, Marx e Engels mudaram-se para Colônia, onde fundaram o jornal Nova Gazeta Renana. Após ataques às autoridades locais publicados no jornal, Marx foi expulso de Colônia em 1849.
Até 1848, Marx viveu confortavelmente com a renda oriunda de seus trabalhos, seu salário e presentes de amigos e aliados, além da herança legada por seu pai. Contudo, em 1849, Marx e sua família enfrentaram grave crise financeira; após superarem dificuldades, conseguiram chegar a Paris, mas o governo francês proibiu-os de fixar residência em seu território. Graças, então, a uma campanha de arrecadação de donativos promovida por Ferdinand Lassalle na Alemanha, Marx e família conseguem migrar para Londres.
Na primeira metade da década de 1850, a família Marx viveu em condições de pobreza na capital inglesa. Devidos ao negócio de algodão de seu pai em Manchester, Engels o ajudava. Essa renda era complementada por artigos semanais de Marx ao jornal estadunidense New York Daily Tribune. Em fins da década de 1850 e início dos anos 1860, as condições se tornaram um pouco melhor em virtude de heranças recebidas. No final dessa década, Engels assegurou uma renda suficiente e constante à família.
- Envolvimento com movimento operário
Em 1843, na França, Marx conheceu a Liga dos Justos, criada em 1836, formada por artesões alemães emigrados. O centro político da organização residia em Paris, mas foram criadas seções secretas na Alemanha. Depois de participar de uma revolta blanquista (1839), uma parte dos seus dirigentes foi aprisionada e outra teve que fugir para Londres, onde havia mais liberdade política. Engels foi o primeiro a entrar em contato com os membros Liga dos Justos, entre 1842 e 1844, quando da sua estada na Inglaterra. Ele ficou bastante impressionado e afirmou que tinha sido os primeiros proletários revolucionários que havia conhecido. Mesmo assim, ele não se convenceu em aderir, pois suas concepções eram bastante diferentes naquele momento. A Liga ainda compartilhava algumas idéias utópicas sobre o socialismo. Em 1846, a Liga dos Justos decidiu rever seu programa e convidou Marx e Engels para colaborarem nessa tarefa. Então, no dia 2 de junho de 1847, teve início aquele que foi o último congresso da Liga dos Justos e o primeiro da Liga dos Comunistas. Uma “carta circular” justificou a alteração do nome: "Nós nos distinguimos não por propugnar a justiça em geral (...) mas sim por repudiar o regime social existente e a propriedade privada, propugnamos a comunidade de bens, somos comunistas". A divisa também foi alterada para se adequar aos novos princípios adotados. Em lugar de "Todos os homens são irmãos" lia-se agora "Proletários de todos os países uni-vos!". O segundo congresso da Liga iniciou-se em 29 de novembro. Marx foi eleito delegado pela região de Bruxelas e Engels pela de Paris. Em 1848, Marx e Engels receberam a incumbência de elaborarem o programa definitivo da Liga Comunista (Manifesto). Liga dos Comunistas foi duramente perseguida. Contra ela, instaurou-se o processo de Colônia na Alemanha, nos quais vários dirigentes foram condenados a longos anos de prisão. Assim, não havia mais condições de mantê-la funcionando e, em 1852, foi dissolvida. Marx afirmou: “a Liga dissolveu-se, por minha iniciativa, declarando que a sua continuação (...) já não corresponde à situação vigente.” Após a crise e fechamento da Liga dos Comunistas, houve um momentâneo desânimo de Marx e Engels em relação às possibilidades da constituição de um Partido Comunista. Foram desse curto período as frases mais desconcertantes expressas em cartas por esses dois personagens. Marx, por exemplo, escreveu ao poeta Freiligrath: “nunca voltarei a pertencer a nenhuma sociedade, secreta ou pública”. Mas, logo sentiriam a necessidade de “recrutar nosso partido” em função do surgimento da Primeira Internacional (informações resumidas e trechos literais; “Marx, Engels e o Partido Comunista, texto de Augusto Buonicore, disponível em: http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=2065&id_coluna=10)
Durante a década de 1860, Marx e Engels foram lideranças importantes da Associação Internacional dos Trabalhadores (Primeira Internacional, 1864-1876). Essa organização foi fundada por trabalhadores de Londres e Paris. Marx envolveu-se d e1864 a 1872 e Engels e 1870 a 1872. Em geral, nos primeiros anos da Internacional, os documentos do Conselho Geral eram redigidos por Marx. Na sua militância, enfrentaram confrontos com Bakunin, principal representante da Aliança Internacional para a Democracia Socialista, que ingressou na organização em 1867 (Marx não concordava com a perspectiva teórica e política do anarquismo, mas defendeu a sua entrada na Internacional). Entre 1869 e 1872, o conflito entre Marx e Bakunin na condução da Internacional foi intenso. Bakunin foi expulso no Congresso de Haia de 1872 por criar organização secreta dentro da Internacional. Nesse congresso, decidiu-se mudar a sede para Nova York (receio de que, em Londres, os blanquistas pudessem controlar a organização; contra Bakunin, os blanquistas foram aliados). Essa mudança contribuiu para o fim da Internacional, dissolvida em 1876.
Louis-Auguste Blanqui (1805-1881): acreditava que a prolongada sujeição à sociedade de classes e à religião impedia aos trabalhadores reconhecerem seus interesses; por isso, era contra o sufrágio universal até que ocorresse a reeducação sob a ditadura do revolucionária (que sucederia o golpe conduzido por poucos, apoio da minoria). Marx e Engels admiravam Blanqui, mas discordavam dessa posição de “alquimistas da revolução”.
Comuna de paris em 1871: os partidários franceses da Internacional (principalmente adeptos de Proudhon) desempenharam um papel importante na Comuna; o Conselho Geral organizou uma campanha de solidariedade internacional (Marx inclusive escreveu uma justificativa histórica da Comuna em Guerra civil na França).
- Casamento
Em 1843, antes de partir para a França, Marx se casou com Jenny von Westphalen, a filha do barão da Prússia Von Westphalen com a qual mantinha noivado desde o início dos seus estudos universitários. Esse noivado foi mantido em sigilo durante anos, pois as famílias Marx e Westphalen não concordavam com a união. Teve com ela cinco filhos e um natimorto. Desses cinco, três morreram na infância devido às péssimas condições de vida da família. Marx também teve um filho com Helena Demuth (militante socialista e empregada da família), cuja paternidade foi assumida por Engels.
- Morte
Fragilizado com a morte da esposa (dezembro de 1881), Marx desenvolveu, em consequência dos problemas de saúde que suportou ao longo de toda a vida, bronquite e pleurisia que o levaram à morte em 1883. Foi enterrado no Cemitério de Highgate, em Londres. Em 1954, o Partido Comunista Britânico construi, sobre a tumba de Marx, uma lápide com um busto.
SÉCULO XIX - ASPECTOS HISTÓRICOS
SÉCULO XIX – ALGUNS ASPECTOS HISTÓRICOS
1804 – 28 de Maio Napoleão Bonaparte é proclamado imperador da França.
1804 –12 de Fevereiro – morre Immanuel Kant
1806 – Napoleão Bonaprte decretou o Bloqueio continental
1808 – 7 de março - Chegada da Família Real portuguesa ao Rio de Janeiro.
1821 – 24 de abril - O Rei D. João VI parte do Brasil, de volta para Portugal, deixando seu filho D. Pedro I como Regente do Brasil
1822 – Independência do Brasil e D. Pedro é aclamado imperador; em 26 de maio - Kaspar Hauser, a criança selvagem, é descoberto nas ruas de Nuremberga (Alemanha)
1830 – 15 de Setembro - No Reino Unido, é inaugurada a Liverpool and Manchester Railway. É a primeira ferrovia de transporte de passageiros do mundo, usando somente locomotivas a vapor
1830 – Revoluções burguesas – Nos últimos anos do reinado de Luís XVIII (1814-1824) e por todo o reinado de Carlos X, o conde de Artois (1824-1830), sucederam-se perturbações internas graves. Este monarca decidiu confiar a chefia do governo ao príncipe de Polignac. Longe de resolver os problemas o novo estadista preocupou-se com uma bem sucedida expedição à Argélia. A publicação das Ordenações de Julho (Ordenanças de Julho), em 25 de Julho de 1830, suprimindo a liberdade de imprensa, dissolvendo a câmara, reduzindo o eleitorado, anulando as últimas eleições e permitindo-se governar através de decretos, deu origem ao levantamento de barricadas em Paris (1830) e à generalização da luta civil que conduziria à Monarquia de Julho, cujo clima perpassa pelas páginas de Os Miseráveis, de Victor Hugo. Carlos X parte para o exílio. Sucede-lhe o primo Luís Filipe I, conhecido como "o rei burguês". Os financistas viram-se representados, uma vez que o próprio monarca era oriundo daquelas fileiras. Apoiado por banqueiros como Casimire Pérere e contando com ministros como Thiers ou François Guizot, a nova monarquia vem assim conseguir impor um clima de paz e prosperidade. O reinado de Luís Filipe revelou-se arquiconservador, gerando insatisfações. O descontentamento popular contra o rei Luís Filipe e seu ministro Guizot avolumava-se desde 1846, estimulado pela crise econômica. Apesar disso, o poder julgava-se solidamente instalado, com apoio dos conservadores, sobretudo banqueiros. As revoltas populares, entretanto, sucederam-se a tal ponto que a própria Guarda Nacional acabou por as apoiar, aderindo à sedição.
1831 – 27 de dezembro - Charles Darwin embarca no HMS Beagle para a sua viagem ao redor do globo, observando a fauna e a flora da América do Sul e principalmente das ilhas Galápagos
1835 - Ano de criação do Revólver
1837 – Samuel Finley Breese Morse inventa o telégrafo
1845 – 8 de agosto - através do Bill Aberdeen o Reino Unido coíbe o tráfico negreiro internacional
1848 – Em Paris, inicia-se a Revolução de 1848 (Dá-se o nome de Revoluções de 1848 à série de revoluções na Europa central e oriental que eclodiram em função de regimes governamentais autocráticos, de crises econômicas, de falta de representação política das classes médias e do nacionalismo despertado nas minorias da Europa central e oriental, que abalaram as monarquias da Europa, onde tinham fracassado as tentativas de reformas políticas e econômicas. Também chamada de Primavera dos Povos, este conjunto de revoluções, de caráter liberal, democrático e nacionalista, foi iniciado por membros da burguesia e da nobreza que exigiam governos constitucionais, e por trabalhadores e camponeses que se rebelaram contra os excessos e a difusão das práticas capitalistas.)
1853 – em 19 de Janeiro, estreia da ópera de Giuseppe Verdi O Trovador
1857 – 8 de Março - Ataque incendiário da polícia causa morte de cento e vinte e nove operárias da fábrica Cotton, em Nova Iorque que leve, anos mais tarde à criação do Dia Internacional da Mulher
1859 – Charles Robert Darwin publica seu livro "A Origem das Espécies" (do original, em inglês, On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life)
1861 – Início da Guerra Civil Americana
1862 – 22 de Setembro - Promulgada a abolição da escravatura pelo presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln; em 28 de Novembro - Fundado o primeiro clube de futebol do mundo, o Notts County, na cidade de Nottingham
1863 – 10 de janeiro - Abertura da primeira secção do Metro de Londres.
1871 – Lei do ventre livre no Brasil; em 18 de março - Instaurada a efêmera Comuna de Paris, que viria ser violentamente combatida e duraria apenas 40 dias
1873 – Entre 1873 e 1881, Sigmund Freud estuda Medicina em Viena com Bruecke.
1874 - Primeira exposição impressionista
1879 – Fundação da General Electric Company por Thomas Edison
1880 – Thomas Edison inventou a Lâmpada incandescente; Rodin esculpe O pensador
1885 – 6 de Julho - Louis Pasteur aplica com sucesso a sua vacina contra a raiva.
1887 – 8 de Novembro - Émile Berliner patenteia o Gramofone (Gira-discos).
1888 – Princesa Isabel assina a lei de libertação dos escravos (Lei Áurea), abolindo assim a escravidão no Brasil; em 23 de dezembro - Sofrendo de depressão, Vincent Van Gogh, pintor pós-impressionista holandês, corta parte da sua orelha esquerda.
1889 – Sigmund Freud aperfeiçoa a técnica de hipnose em Nancy; proclamação da república do Brasil
1891 – 29 de Dezembro - Thomas Edison patenteia o rádio.
1895 – 27 de Dezembro - Os irmãos Lumière mostram pela primeira vez ao público o filme L'Arrivée d'un Train en Gare, no Grand Café, no Boulevard des Capucines. É, por muitos, considerada a data do nascimento do Cinema.
1896 – Olimpíada Moderna
1900 – A norte-americana Coca-Cola é lançada na Europa
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E SEU PROLONGAMENTO NO SÉCULO XIX
A Revolução Industrial consistiu em um conjunto de mudanças tecnológicas com profundo impacto no processo produtivo em nível econômico e social. Iniciada na Inglaterra em meados do século XVIII, expandiu-se pelo mundo a partir do século XIX. O que aconteceu no século XIX? Embarcação a motor (1803), iluminação das ruas a gás (Inglaterra) (1807); conclusão da locomotiva a vapor e inauguração da primeira ferrovia na Grã-bretanha (1825); inauguração da primeira linha de telégrafo nos EUA (1844); primeiro cabo telegráfico submarino entre EUA e Grã-bretanha (1865); invenção do telefone (1876); invenção do fonógrafo por T. Edson (1877); iluminação elétrica nos EUA (1879); invenção do motor a exploração (1885).
Após 1830, a produção industrial se descentralizou da Inglaterra e se expandiu rapidamente pelo mundo, principalmente para o noroeste europeu, e para o leste dos Estados Unidos da América. Porém, cada país se desenvolveu em um ritmo diferente baseado nas condições econômicas, sociais e culturais de cada lugar. Na Alemanha com o resultado da Guerra Franco-prussiana em 1870, houve a Unificação Alemã que, liderada por Bismarck, impulsionou a Revolução Industrial no país que já estava ocorrendo desde 1815. Foi a partir dessa época que a produção de ferro fundido começou a aumentar de forma exponencial. Na Itália a unificação política realizada em 1870, à semelhança do que ocorreu na Alemanha, impulsionou, mesmo que atrasada, a industrialização do país. Essa só atingiu ao norte da Itália, pois o sul continuou basicamente agrário.
SITUAÇÃO DOS TRABALHADORES
Horas de trabalho por semana para trabalhadores adultos nas indústrias têxteis:
1780 - em torno de 80 horas por semana
1820 - 67 horas por semana
1860 - 53 horas por semana
2007 - 46 horas por semana
Ainda no século XIX:
Movimento Ludista (1811-1812) – reclamações contra as máquinas inventadas após a revolução para poupar a mão-de-obra já eram normais. Mas foi em 1811 que o estopim estourou e surgiu o movimento ludista, uma forma mais radical de protesto. O nome deriva de Ned Ludd, um dos líderes do movimento. Os luditas chamaram muita atenção pelos seus atos. Invadiram fábricas e destruíram máquinas, que, segundo os luditas, por serem mais eficientes que os homens, tiravam seus trabalhos, requerendo, contudo, duras horas de jornada de trabalho. Os manifestantes sofreram uma violenta repressão, foram condenados à prisão, à deportação e até à forca. Os luditas ficaram lembrados como "os quebradores de máquinas". Anos depois os operários ingleses mais experientes adotaram métodos mais eficientes de luta, como a greve e o movimento sindical.
Movimento Cartista (1837-1848) – em seqüência veio o movimento "cartista", organizado pela "Associação dos Operários", que exigia melhores condições de trabalho como: particularmente a limitação de oito horas para a jornada de trabalho; a regulamentação do trabalho feminino; a extinção do trabalho infantil; a folga semanal; o salário mínimo. Este movimento lutou ainda pelos direitos políticos, como o estabelecimento do sufrágio universal (apenas para os homens, nesta época) e extinção da exigência de propriedade para se integrar ao parlamento e o fim do voto censitário. Esse movimento se destacou por sua organização, e por sua forma de atuação, chegando a conquistar diversos direitos políticos para os trabalhadores.
As "trade-unions" – os empregados das fábricas também formaram associações denominadas trade unions, que tiveram uma evolução lenta em suas reivindicações. Na segunda metade do século XIX, as trade unions evoluíram para os sindicatos, forma de organização dos trabalhadores com um considerável nível de ideologização e organização, pois o século XIX foi um período muito fértil na produção de idéias antiliberais que serviram à luta da classe operária, seja para obtenção de conquistas na relação com o capitalismo, seja na organização do movimento revolucionário cuja meta era construir o socialismo objetivando o comunismo. O mais eficiente e principal instrumento de luta das trade unions era a greve.
FILOSOFIA DO SÉCULO XIX
Nos finais do século 18 um movimento conhecido como Romantismo buscou combinar a racionalidade formal do passado, com um maior e mais imediato senso emocional e orgânico do mundo. Idéias fundamentais que reluzem esta mudança são a Evolução, como postulado por Goethe, Erasmus e Charles Darwin. Pressões para igualitarismo e mudanças rápidas e forçosas, culminaram em um período de revolução e turbulência que fariam com que a filosofia mudasse de uma forma proveitosa.
Influência do Iluminismo se mantém
No início do século 19 na Inglaterra, Jeremy Bentham e John Stuart Mill promoveram a idéia de que as ações são certas quando maximinizam o prazer e minimizam a dor.
Positivismo de Auguste Comte
Marxismo
Os filósofos americanos C.S. Peirce e William James desenvolveram a filosofia pragmática nos finais do século 19;
F. Nietzsche (1844-1900)
Sigmund Freud (1856-1939)
MÚSICA NO SÉCULO XIX: MÚSICA ROMÂNTICA
Os compositores clássicos tinham por objetivo atingir o equilíbrio entre a estrutura formal e a expressividade. Os românticos vieram desequilibrar tudo. Eles buscavam maior liberdade de forma, a expressão mais intensa e vigorosa das emoções, frequentemente revelando seus pensamentos mais profundos, inclusive suas dores. Muitos compositores românticos eram ávidos leitores e tinham grande interesse pelas outras artes, relacionando-se estreitamente com escritores e pintores. Não raro uma composição romântica tinha como fonte de inspiração um quadro visto ou um livro lido pelo compositor.
Dentre as muitas ideias que exerceram enorme fascínio sobre os compositores românticos temos: terras exóticas e o passado distante, os sonhos, a noite e o luar, os rios, os lagos e as florestas, as tristezas do amor, lendas e contos de fadas, mistério, a magia e o sobrenatural. As melodias tornam-se apaixonadas, semelhantes à canção. As harmonias tornam-se mais ricas, com maior emprego de dissonâncias.
Durante o Romantismo houve um rico florescimento da canção, principalmente do Lied ( ‘canção’ em alemão) para piano e canto. O primeiro grande compositor de Lieder ( plural de Lied ) foi Schubert.
As óperas mais famosas hoje em dia são as românticas. Os grandes compositores de óperas do Romantismo foram os italianos Verdi e Rossini e na Alemanha, Wagner. No Brasil, destaca-se Antônio Carlos Gomes com suas óperas O Guarani, Fosca, O Escravo, etc.
A orquestra cresceu não só em tamanho, mas também em abrangência. A seção dos metais ganhou maior importância. Na seção das madeiras adicionou-se o flautim, o clarone, o corne inglês e o contrafagote. Os instrumentos de percussão ficaram mais variados.
O Concerto romântico usava grandes orquestras; e os compositores, agora sob o desafio da habilidade técnica dos virtuoses, tornavam a parte do solo cada vez mais difíceis.
Até a metade do século XIX, toda a música fora dominada pelas influências alemãs. Foi quando compositores de outros países, principalmente os russos, passaram a ter a necessidade de criar a sua música. Inspiravam-se nas músicas folclóricas e lendas de seus países. É o chamado Nacionalismo Musical.
No século XIX o piano passou por diversos melhoramentos. Quase todos os compositores românticos escreveram para o piano, mas os mais importantes foram: Schubert, Mendelssohn, Chopin, Schumann, Liszt e Brahms. Embora em meio às obras destes compositores se encontrem sonatas, a preferência era para peças curtas e de forma mais livre.
Havia uma grande variedade, entre elas as danças como as valsas, as polonaises e as mazurcas , peças breves como o romance, a canção sem palavras, o prelúdio, o noturno, a balada e o improviso.
Outro tipo de composição foi o Étude (Estudo), cujo objetivo era o aprimoramento técnico do instrumentista. Com efeito, durante esta época houve um grande avanço nesse sentido, favorecendo a figura do Virtuoso: músico de concerto, dotado de uma extraordinária técnica. Virtuosos como o violinista Paganini e o pianista Liszt eram admirados por plateias assombradas.
Principais compositores Românticos
Gustav Mahler - 1860/1911
Moritz Moszkowki - 1854/1925
Geuseppe Verdi - 1813/1901
Sergei V. Rachmaninov - 1873/1943
Louis Hector Berlioz - 1803/1869
F.Schubert 1797 - 1828
F. Mendelssohn 1809 - 1847
F. Chopin 1810 - 1849
R. Schumann 1810 - 1856
F.Liszt 1811 - 1886
R. Wagner 1813 - 1883
J. Brahms 1838 - 1897
Tchaikovsky 1840 - 1893
PINTURA NO SÉCULO XIX
Mas é a partir do século XIX com o crescimento da técnica de reprodução de imagens, graças à Revolução Industrial, que a pintura de cavalete perde o espaço que tinha no mercado. Até então a gravura era a única forma de reprodução de imagens, trabalho muitas vezes realizado por pintores. Mas com o surgimento da fotografia, a função principal da pintura de cavalete, a representação de imagens, enfrenta uma competição difícil. Essa é, de certa maneira, a crise da imagem única e o apogeu de reprodução em massa.
ARTE, CIÊNCIA E LITERATURA NO SÉCULO XIX (disponível em: http://www.mundoeducacao.com.br/historiageral/arte-ciencia-literatura-no-seculo-xix.htm)
Na esfera artística, o individualismo e o ritmo frenético dos ambientes urbanos impulsionaram a criação de novos movimentos. O Romantismo criticava as mudanças da sociedade industrial e buscava o refúgio na vida próxima à natureza e a exaltação dos sentimentos amorosos. Muitos dos participantes desta corrente também atacavam o mundo em que viviam tecendo obras onde o drama e a opressão das camadas populares era costumeiramente representada.
Essas correntes mais contestadoras, na segunda metade do XIX, perderam espaço para o Parnasianismo. Esse movimento pautava uma concepção de elogio ao belo, considerando que a arte seria um campo autônomo que não deveria se ocupar dos conflitos e horrores da condição humana. Em contrapartida, a corrente Naturalista e Realista valorizavam as contradições das relações humanas e a reflexão do mundo vivido. Nesse mesmo período também se estabelece uma literatura engajada e fortemente influenciada pelo pensamento marxista.
Na arquitetura, retomaram-se padrões estéticos passados. O estilo gótico medieval mais uma vez apareceu entre as construções. Na França, o Art Noveau valorizava a decoração arquitetônica com o uso de linhas sinuosas e inspiração em elementos da natureza. Além disso, o uso do concreto armado viabilizou o aumento das construções prediais e a elaboração de desenhos arquitetônicos cada vez mais arrojados. Foi nessa época que os arranha-céus começaram a dominar o ambiente das grandes cidades contemporâneas.
Na pintura, podemos detectar uma grande via de diálogo com as correntes literárias. O Realismo procurou retratar situações cotidianas e trazer um equilíbrio entre o rigor estético e a expressão dos sentimentos. Outra importante corrente nascida no período foi a impressionista. Valorizando a sensação causada pelas cores, retratavam diferentes situações mundanas.
A música nessa época também viveu grandes mudanças, tanto no campo erudito quanto no popular. O predominante romantismo da obra de Beethoven abriu portas para uma rica geração de compositores. Wagner começou a privilegiar a temática nacionalista. Stravinski e Schönberg buscaram grandes rupturas com o sistema musical clássico, criando o sistema dodecafônico.
Outra grande mudança foi concebida na música popular. Até então, a música popular era considerada um tipo de música rude e sem maiores rigores ou complexidades. O jazz apareceu com uma novidade musical arraigada nos guetos norte-americanos. Influenciado pelo blues, work-songs e spirituals dos trabalhadores rurais negros, o jazz mostrou uma complexidade estética que questionava a separação da cultura erudita e popular.
Na passagem do século XIX para o XX, a chamada cultura de massa começou a aparecer nas grandes cidades. Na França, os irmãos Lumière causaram uma nova transformação no campo das artes. A criação do cinematógrafo trouxe a criação das artes cinematográficas. Elogiada por uns e criticada por outros, o cinema fundou a chamada “sétima arte”.
Mundo Educação » História Geral » Idade Contemporânea » Arte, ciência e literatura no século XIX
HISTÓRIA DA ARTE NO SÉCULO XIX
1. O projeto iluminista e a construção da Modernidade. A autonomia da arte e a noção de gosto. Razão e sentimento: problemática dos conceitos (neo)clássico e romântico. O pitoresco e o sublime. Consciência histórica e patrimonial.
2. Situação da pintura e escultura europeias na passagem para o século XIX. Produção artística em França de David a Delacroix. Goya, Füssli e Blake. O romantismo alemão e Friedrich. O paisagismo inglês. A escultura de Canova a Carpeaux e Rude.
3. Arquitectura pós-Revolução Francesa. Os arquitectos visionários e o neoclassicismo em França de Soufflot a Durand. Palladianismo, revivalismos históricos e o pitoresco no Reino Unido. A arquitectura alemã: Klenze e Schinkel. Classificação e conservação do património monumental. A questão do neogótico e o debate sobre o restauro dos monumentos históricos: Pugin, Ruskin e Viollet-le-Duc. Novos materiais e tecnologias: da arquitectura do ferro à difusão do betão.
4. Pintura de paisagem em França: Corot e a Escola de Barbizon. Estética realista: Courbet, Millet e Daumier. De Manet à definição das propostas impressionistas. Gauguin e o movimento simbolista. Cézanne
BALZAC
Honoré de Balzac (Tours, no departamento francês de Indre-et-Loire, 20 de maio de 1799 — Paris, 18 de agosto de 1850) foi um romancista francês. Em 1849, com a saúde debilitada, viajou à Polônia para visitar Eveline Hanska, rica dama polaca com quem se correspondeu mais de 15 anos. Em 1850, três meses antes da morte de Balzac, eles casaram-se.
GÖTHE
Johann Wolfgang von Goethe (Frankfurt am Main, 28 de Agosto de 1749 — Weimar, 22 de Março de 1832) foi um escritor alemão e pensador que também incursionou pelo campo da ciência. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX. Juntamente com Friedrich Schiller foi um dos líderes do movimento literário romântico alemão Sturm und Drang.
Schulze, Scheele, e Wedgewood descobriram o processo onde os átomos de prata possuem a propriedade de possibilitar a formação de compostos e cristais que reagem de forma delicada e controlável à energia das ondas de luz. Porém, o francês Joseph-Nicéphore Niépce o fisionotraço e a litografia. Em 1817, obteve imagens com cloreto de prata sobre papel. Em 1822, conseguiu fixar uma imagem pouco contrastada sobre uma placa metálica, utilizando nas partes claras betume-da-judéia, este fica insolúvel sob a ação da luz, e as sombras na base metálica. A primeira fotografia conseguida no mundo foi tirada no verão de 1826, da janela da casa de Niepce, encontra-se preservada até hoje. Esta descoberta se deu quando o francês pesquisava um método automático para copiar desenho e traço nas pedras de litografia. Ele sabia que alguns tipos de asfalto entre eles o betume da judéia endurecem quando expostos à luz. Para realizar seu experimento, dissolveu em óleo de lavanda o asfalto, cobrindo com esta mistura uma placa de peltre (liga de antimônio, estanho, cobre e chumbo). Colocou em cima da superfície preparada uma ilustração a traço banhada em óleo com a finalidade de ficar translúcida. Expôs ao sol este endureceu o asfalto em todas as áreas transparentes do desenho que permitiram à luz atingir a chapa, porém nas partes protegidas, o revestimento continuou solúvel. Niépce lavou a chapa com óleo de lavanda removendo o betume. Depois imergiu a chapa em ácido, este penetrou nas áreas em que o betume foi removido e as corroeu. Formando desta forma uma imagem que poderia ser usada para reprodução de outras cópias.
Niepce e Louis-Jacques Mandé Daguerre iniciaram suas pesquisas em 1829. Dez anos depois, foi lançado o processo chamado daguerreótipo.
Este consistia numa placa de de ouro e prateada, exposta em vapores de iodo, desta maneira, formava uma camada de iodeto de prata sobre si. Quando numa câmara escura e exposta à luz, a placa era revelada em vapor de mercúrio aquecido, este aderia onde havia a incidência da luz mostrando as imagens. Estas, eram fixadas por uma solução de tiossulfato de sódio. O daguerreótipo não permitia cópias, apesar disso, o sistema de Daguerre se difundiu. Inicialmente muito longos, os tempos de exposição encurtaram devido às pesquisas de Friedrich Voigtländer e John F. Goddard em 1840, estes criaram lentes com abertura maior e ressensibilizavam a placa com bromo.
William Henry Fox Talbot lançou, em 1841, o calótipo, processo mais eficiente de fixar imagens. O papel impregnado de iodeto de prata era exposto à luz numa câmara escura, a imagem era revelada com ácido gálico e fixada com tiossulfato de sódio. Resultando num negativo, que era impregnado de óleo até tornar-se transparente. O positivo se fazia por contato com papel sensibilizado, processo utilizado até os dias de hoje.
O calótipo foi a primeira fase na linha de desenvolvimento da fotografia moderna, o daguerreótipo conduziria à fotogravura, processo utilizado para reprodução de fotografias em revistas e jornais.
Frederick Scott Archer inventou em 1851 a emulsão de colódio úmida. Era uma solução de piroxilina em éter e álcool, adicionava um iodeto solúvel, com certa quantidade de brometo, e cobria uma placa de vidro com o preparado. Na câmara escura, o colódio iodizado, imerso em banho de prata, formava iodeto de prata com excesso de nitrato. Ainda úmida, a placa era exposta à luz na câmara, revelada por imersão em pirogalol com ácido acético e fixada com tiossulfato de sódio. Em 1864, o processo foi aperfeiçoado e passou-se a produzir uma emulsão seca de brometo de prata em colódio.
Há controvérsias, sobre a pátria de origem do cinema (cf. TOULET, s/d; ROSENFELD, 2002; NAZÁRIO, 1999). França, Alemanha e Estados Unidos dividem os méritos;Em 1891, Thomas A. Edison e W. Dickson patentearam, nos EUA, uma câmera denominada Kinetoscópio e um aparelho de visão individual que reconstituía o movimento, o Kinetoscópio.
Kinetoscópio é uma caixa de madeira com um monóculo instalado na parte superior externa e que, individualmente, podia-se ver fotografias em movimento no seu interior.
O cinema, novidade no fim do século XIX e início do XX, exigiu do público novos saberes no contato com a nova linguagem imagética. Enfrentar filas, acostumar o olho com o brilho de uma tela, sincronizar a leitura das legendas com as imagens, tudo isso desencadeou nas pessoas séries de movimentos corporais e emocionais específicos à situação.
Vinicius de Moraes, alertou, em um de seus textos, que “[...] é preciso também saber ir ao cinema” (1991, p. 25). Outro aspecto que solicitou novos aprendizados foi a própria sociabilidade entretida nas salas de projeção, nos encontros de dezenas, centenas de pessoas – pensemos nas salas gigantescas com capacidade para 5 mil pessoas-, inclusive de camadas sociais distintas.
Martín-Barbero e Rey, comentando uma afirmação de C. Monsivais, nos dizem que, na primeira metade do século XX, os mexicanos não iam “ao cinema para sonhar, mas para aprender a ser mexicanos” (2001, p. 35).
CARTA DE KARL MARX AO PAI EM TRIER - 1837
Querido pai,
Há momentos na vida que, tais quais marcas fronteiriças, colocam-se diante de um período concluído, apontando, porém, ao mesmo tempo, com determinação, para uma nova direção. Em um tal ponto de transição, sentimo-nos forçados a contemplar o passado e o presente com os olhos de águia do pensamento, a fim de tornarmo-nos conscientes de nossa posição real.
Em verdade, a própria história do mundo gosta desse olhar retrospectivo e desse investigar-se, o que freqüentemente, confere-lhe, então, a aparência de retrocesso ou estagnação, enquanto que a história, ela mesma, apenas se lança em uma poltrona, para entender a si mesma, penetrando, espiritualmente, em sua própria atividade, qual seja a atividade do espírito.
Em tais momentos, porém, um indivíduo torna-se lírico, pois toda metamorfose é, em parte, um canto de cisne e, em parte, a abertura de um novo grande poema que aspira a adquirir uma postura em cores brilhantes, que estão, porém, ainda desbotadas.
Contudo, gostaríamos de erigir um monumento em homenagem àquilo que já vivenciamos, para que readquira em nosso sentimento o lugar que perdeu para as nossas ações. E onde é que poderia encontrar-se para isso um santuário mais estimado, se não fosse no coração do pai, o juiz mais moderado, o partícipe mais íntimo, o sol do amor, cujo fogo ardente é sentido no centro mais cardeal de nossas pretensões !
Como poderiam muitas coisas que são odiosas e censuráveis receber melhor compensação e perdão, se não surgissem como uma manifestação de um estado essencialmente necessário das coisas ? Como poderia o jogo do acaso, freqüentemente desfavorável, bem como o erro espiritual, ser substraído à acusação de ser devido a um coração perverso ?
Portanto, se, agora, no fim de um ano aqui transcorrido, lançar um olhar sobre as condições, havidas durante esse tempo, a fim de responder, meu querido pai, à sua carta infinitamente querida, procedente de Ems, permito-me contemplar minhas relações, tal como contemplo a vida em geral, enquanto expressão de um agir espiritual que se conforma em todas as direções, na ciência, na arte e nas questões privadas.
Quando vos deixei, surgiu para mim um novo mundo, o mundo do amor e, em verdade, no início, do amor embriagado de saudades e de esperanças vazias.
Até mesmo a viagem à Berlim, que, por sinal, poderia ter-me encantado ao extremo, despertando-me a observação da natureza, abrasando-me o prazer de viver, produziu-me frieza, deixando-me visivelmente de mau humor, pois as rochas que via não eram mais grosseiras, não eram mais impudentes do que os sentimentos da minha alma, as amplas cidades, não mais vivazes do que o meu sangue, as refeições dos albergues, não mais sobrecarregadas, não mais indigeríveis do que os pacotes de fantasias que levava e, finalmente, a arte, não tão bela quanto Jenny.
Chegando à Berlim, rompi todos os laços que haviam existido até então, passei a fazer, com dissabor, raras visitas e procurei afundar-me na ciência e na arte. Em conformidade com a situação espiritual de outrora, a poesia lírica havia de constituir, necessariamente, o meu primeiro projeto, ao menos o mais agradável e mais próximo. Porém, esta era puramente idealista, tal como meu posicionamento e todo o desenvolvimento até o presente momento o demonstraram. Um reino do além, de igual forma distantemente situado - tal como o meu amor -, passou a ser o meu céu, a minha arte. Todo o real tornou-se vago e tudo o que é vago não encontra nenhuma fronteira.
Ataques ao presente, sentimento impactado de modo amplo e informe, nada de natural, tudo construído a partir da lua, o pleno oposto daquilo que existe e daquilo que deve ser, reflexões retóricas em vez de pensamento poético, talvez, porém, um certo calor do sentimento e da luta pelo ímpeto caracterizam todas as poesias dos três primeiros volumes, por mim enviados e recebidos por Jenny. Toda a extensão de uma ansiedade que não conhece nenhuma fronteira manifesta-se em diversas formas e faz da “poesia” uma “extensão”. Então, a poesia podia e devia ser apenas um acompanhamento.
Tive de estudar a Ciência do Direito e senti, sobretudo, o incitamento de bater-me com a Filosofia. Ambas foram de tal maneira relacionadas que tratei, em parte, Heineccius, Thibaut e as fontes de modo puramente acrítico, de modo meramente escolástico - assim, p.ex., traduzi os dois primeiros livros das Pandectas para o alemão -, e, em parte, procurei fazer passar uma Filosofia do Direito pelo domínio do Direito.
À guisa de introdução, prefaciei algumas proposições metafísicas e conduzi essa obra infeliz até o Direito Público, de modo a elaborar um traballho de aproximadamente 300 páginas.
Aqui, surgiu, sobretudo, de modo pertubador, o mesmo antagonismo, existente entre ser e dever ser, próprio do idealismo, tornando-se a matriz da divisão subseqüente, irrecuperavelmente incorreta.
De início, apareceu a Metafísica do Direito - assim por mim piedosamente denominada -, i.e. os fundamentos, as reflexões, as definições conceituais - divorciada de todo Direito real e de toda forma real do Direito, tal como haveria de aparecer em Fichte, apenas que de modo mais moderno e sem conteúdo, em meu trabalho.
Nisso, a forma acientífica do dogmatismo matemático, em que o sujeito roda em torno da coisa, refletindo, para cá e para lá, sem que a própria coisa assuma sua forma, como algo abundantemente vivo e em desenvolvimento, era um obstáculo, colocado de antemão, à apreensão da verdade.
O triângulo permite ao matemático construir e comprovar, permanece, porém, mera representação no espaço, não se desenvolvendo subseqüentemente em nada.
É necessário que o coloquemos ao lado de outras coisas, para que assuma, então, outras posições, e esse diferenciar em relação ao mesmo ali colocado, confere-lhe diversas relações e verdades.
Pelo contrário, na expressão concreta do mundo do pensamento vivo, tal como é o Direito, o Estado, a Natureza, a inteira Filosofia, deve o próprio objeto ser perscrutado em seu desenvolvimento. Divisões arbitrárias não se podem imiscuir. A razão da própria coisa deve, enquanto algo em si mesmo antagônico, desenvolver-se e encontrar a sua unidade em si mesma.
A título de segunda parte, surgiu, então, a Filosofia do Direito, i.e., conforme a minha concepção de outrora, a contemplação do desenvolvimento do pensamento no Direito Positivo Romano, tal como se o Direito Positivo, em seu desenvolvimento intelectual (não quero dizer em suas prescrições puramente finitas), pudesse ser mesmo alguma coisa diferente da conformação do conceito de Direito que, porém, haveria de ser abarcado pela primeira parte.
Essa parte, dividi, então, ainda adicionalmente, em doutrina formal do Direito e em doutrina material do Direito, sendo que a primeira deveria descrever a forma pura do sistema, em sua seqüência e em sua interconexão, a subdivisão e a dimensão, ao passo que a segunda, o conteúdo, o condensar-se da forma em seu conteúdo. Esse foi um erro que compartilhei com o Sr. von Savigny - tal como, posteriormente, verifiquei em sua obra erudita sobre a posse - com a única diferença de que ele chama de definição conceitual formal o "encontrar a sede em que esta e aquela doutrina assumem no (fictício) sistema romano", e de definição conceitual material propriamente "a doutrina do positivo, que os romanos adjudicaram a um conceito assim fixado", enquanto que eu entendia por forma o arquitetônico necessário das formulações dos conceitos, e por matéria, a qualidade necessária dessas formulações.
O erro residia em ter eu acreditado que conteúdo e forma poderiam e deveriam desenvolver-se separadamente, não adquirindo, assim, nenhuma forma real, a não ser a de uma mesinha com gavetas, nas quais, a seguir, resolvi dispersar areia.
O conceito é, em verdade, o elo intermediário entre forma e conteúdo. No desenvolvimento filosófico do Direito, um deve emergir no outro. Com efeito, a forma pode apenas ser a continuação do conteúdo.
Assim, cheguei, pois, a uma divisão da matéria, tal como o sujeito a pode projetar para a classificação mais extremamente simples e superficial. Porém, nela, o espírito e a verdade do Direito pereceram. Todo o Direito desintegrou-se em Direito contratual e Direito não-contratual.
Visando à sua melhor percepção, tomo a liberdade de colocar aqui o esquema, até à divisão do jus publicum, o qual é também trabalhado na parte formal.
I. II.
jus privatum jus publicum
I. jus privatum
a. Direito Privado contratualmente condicionado
b. Direto Privado não condicionado por contrato
A. Direito Privado contratualmente condicionado
a) Direito Pessoal b) Direito das Coisas c) Direito Pessoal em relação às Coisas
a) Direito Pessoal
I. decorrente de contrato oneroso
II. decorrente de contrato de garantia
III. decorrente de contrato de fidúcia
I. decorrente de contrato oneroso
2. contrato de sociedade (societas)
3. contrato de locação (locatio conductio)
3. locatio conductio
1. na medida que se relaciona com operae (serviços)
a) locatio conductio propriamente dita (sem querer dizer
o contrato de aluguel nem o arrendamento romanos !)
b) mandatum (encargo)
2. na medida em que se relaciona com usus rei
(Direito de uso sobre uma coisa)
a)sobre o solo : usufructus (usufruto)
(também não em sentido meramente romano)
b) sobre casas : habitatio (Direito da moradia)
(de início sobre a própria casa, mais tarde sobre a casa de outro)
II. decorrente de contrato de garantia
1. contrato de arbitragem e de conciliação
2. contrato de seguro
III. decorrente de contrato de fidúcia
2. contrato de endosso
1. fidejussio (fiança)
2. negotiorum gestio (gestão de negócios sem mandato)
3. contrato de doação
1. donatio (doação)
2. gratiae promissum (promessa de favorecimento)
b) Direito das Coisas
I. decorrente de contrato oneroso
2. permutatio stricte sic dicta (troca em sentido originário)
1. permutatio propriamente dita (troca)
2. mutuum (usurae)
3. emptio venditio (compra e venda)
II. decorrente de contrato de garantia
pignus (penhor)
III. decorrente do contrato de fidúcia
2. commodatum (empréstimo, contrato de empréstimo)
4. depositum (conservaçao de um bem confiado)
Porém, porque devo eu continuar a encher páginas com coisas que eu mesmo reprovo?
Divisões tricotômicas transpassam o todo. Escreve-se com enfadonha prolixidade e as concepções romanas são violadas, da maneira mais bárbara, para metê-las a força em meu sistema. Por outro lado, foi assim que adquiri tanto amor como visão geral a respeito da matéria, no mínimo em determinado sentido.
Na conclusão do Direito Privado Material, vi a falsidade do todo que, no esquema fundamental, faz fronteira com o de Kant, dele se esquivando totalmente na execução, e, mais uma vez, tornou-se-me claro que sem a Filosofia não seria possível penetrar.
Assim, permeti-me, com boa consciência, lançar-me novamente nos braços da Filosofia e redigi um novo sistema metafísico fundamental, em cuja conclusão fui forçado a admitir, novamente, o equívoco das suas (EvM.: i.e. as de Kant) e de todas as minhas pretensões precedentes. No curso dessa atividade, havia-me apropriado do hábito de fazer excertos de todos os livros que lia, tais como o “Laokoon”, de Lessing, o “Erwin”, de Solger, a história da arte de Winckelmann, a história alemã de Luden e, dessa forma, adiconalmente, rabiscar reflexões.
Concomitantemente, traduzi a ”Germania”, de Tacitus, o ”Libri Tristium” de Ovídio, e comecei, de modo particular, i.e. a partir das gramáticas, com o inglês e o italiano, nos quais ainda nada consegui, bem como li o Direito Criminal, de Klein, seus anais e tudo o de mais novo da literatura, fazendo-o, porém, de modo secundário.
Em fins de setembro, procurei novamente por danças das musas e música das sátiras e, já nesse caderno que vos enviei, o idealismo penetra mediante humor forçado (“Scorpion e Felix”), mediante drama fantástico, fracassado (“Oulanem”), até que se transforma, finalmente, de modo pleno, em uma arte formal pura, na maioria das partes, sem objetos estimulantes, sem dinâmica tempestuosa de idéias. Entretanto, essas últimas poesias são as únicas, nas quais resplandeceu diante de mim, repentinamente, tal como através de um golpe mágico - oh ! o golpe foi, de início, esmagador - o reino da verdadeira poesia, à maneira de um palácio de fadas distante, sendo que todas as minhas criações dissolveram-se no nada.
Com todas essas variegadas ocupações, tive de atravessar acordado muitas noites, pelo meu primeiro semestre a dentro, travando muitas lutas, havendo de padecer com muitas agitações internas e externas. No final das contas, não emergi, porém, muito enriquecido, tendo negligenciado a natureza, a arte e o mundo, bem como repudiado os amigos, sendo que essas reflexões pareciam estar sendo feitas por meu corpo. Um médico aconselhou-me a partir para o campo e, assim, pela primeira vez, atravessei toda a grande cidade, indo ter diante do portão de Stralow(Stralau). Não pressenti que haveria de amadurecer ali de uma fraqueza anêmica até à robusta firmeza de meu corpo. Uma cortina havia sido abaixada. Minhas coisas mais sagradas haviam sido despedaçadas e novos Deuses haviam de ser erigidos.
Partindo do idealismo, o qual, dito de passagem, comparei e enriqueci com o idealismo de Kant e o de Fichte, cheguei ao ponto, então, de investigar a idéia, na realidade mesma. Se os Deuses haviam, anteriormente, habitado a terra, tornavam-se, agora, o centro da mesma. Havia lido fragmentos da Filosofia de Hegel, cuja melodia rochosa grotesca não agradou.
Mais uma vez, quis mergulhar no mar, porém com o propósito determinado de constatar que a natureza do espírito é tão necessária, concreta e firmemente fundada quanto a natureza do corpo, bem como pretendendo não mais praticar artes de esgrima, senão segurar a pérola genuína diante da luz do sol.
Escrevi um diálogo de aproximadamente 24 páginas : ”Cleanthes ou o Ponto de Partida e a Necessária Continuação da Filosofia”.
Aqui, arte e saber, que estavam inteiramente separados, unificaram-se, em certa medida, e, como um vigoroso andarilho, marchei rumo à própria obra, rumo a um desenvolvimento filosófico-dialético da divindade, tal como manifestada enquanto conceito em si, enquanto religião, natureza, história.
Minha última proposição foi o início do sistema de Hegel.
E esse trabalho, para o qual me familiarizarei, em certa extensão, com a Ciência da Natureza, Schelling e a História - o que me provocou infinita dor de cabeça, estando redigido de tal modo (uma vez que deveria constituir uma nova lógica) que, agora, nem mesmo eu consigo me recordar de ter alimentado esse meu filho predileto, sob o brilho da lua -, esse meu trabalho conduz-me, tal como uma falsa sereia, aos braços do inimigo.
Devido a esse meu desgosto, não pude pensar em absolutamente nada durante alguns dias. Corri como um louco pelo jardim, junto à água imunda do Spree. "Lavei a alma e dilui o chá". Aderi até mesmo a uma sessão de caça, com o dono de minha pensão. Disparei rumo a Berlim, quererndo abraçar cada um dos transeuntes das esquinas.
Logo a seguir, empreendi apenas estudos positivistas : o estudo sobre “A Posse” de Savigny e sobre o Direito Criminal, de Feuerbach e Grolmann, o De verborum significatione, de Cramer, o Sistema das Pandectas, de Wening-Ingenheims, e a Doctrina pandectarum, de Mühlenbruch, nos quais ainda continuo trabalhando, e, finalmente, títulos esparsos de Processo Civil e, sobretudo, Direito Eclesiástico, de Lauterbach, dos quais a primeira parte, ”Concordia discordantium canonum”, de Gratian, li quase completamente no corpus, elaborando excertos, como também o fiz com o suplemento ”Institutiones”, de Lancelotti.
Em seguida, traduzi, em parte, a ”Retórica”, de Aristóteles, li do célebre Baco v. Verulam seu ”De dignitate et augumentis scientiarum”, ocupei-me bastante com Reimarus, cujo livro ”Do Impulso Artístico dos Animais” analisei com prazer, resvalei também no Direito Alemão, porém, principalmente, apenas na medida em que examinei as Capitulares dos Reis Francos e as cartas dos Papas a eles dirigidas.
Por encontrar-me pertubado com a doença de Jenny e com os meus baldados e fracassados trabalhos espirituais, pelo aborrecimento dilacerante de ter de construir para mim mesmo um ídolo a partir de uma visão que odiava, fiquei doente, meu caro pai, tal como já lhe escrevi precedentemente. Uma vez recuperado, queimei todas as poesias e materiais sobre novelas etc., na loucura de acreditar que disso me poderia livrar inteiramente, sendo que, até agora, de nenhuma forma, dei provas do contrário.
Durante minha doença, conheci Hegel do início ao fim, juntamente com a maioria de seus discípulos.
Através de diversos encontros com amigos, ocorridos em Stralow, fui dar em um Clube de Doutores, no qual se encontravam alguns livres docentes e meu amigo mais íntimo de Berlim, Dr. Rutenberg.
Aqui, em meio a debates, revelaram-se muitas concepções reticentes, sendo que me acorrentei, cada vez mais firmemente, à filosofia do mundo atual, da qual pensei escapar. Porém, todo a riqueza de sons tornou-se silenciosa e uma verdadeira fúria de ironia envolveu-me, tal como se pudesse isso suceder bem facilmente, depois de tantas coisas repudiadas. Ademais, havia o silêncio de Jenny e não pude tranquilizar-me até que alcançara a modernidade e o ponto de vista da concepção científica atual, por meio de algumas produções de má qualidade, tal como ”The Visit (A Visita)” etc.
Se, talvez, nem lhe tenha apresentado aqui, meu caro pai, esse último semestre por inteiro nem penetrado, de modo claro, em todas as particularidades, obscurecendo também todos os matizes, perdoe-me por minha ansiedade de falar sobre o presente.
H. v. Chamisso enviou-me um bilhete extremamente insignificante, comunicando-me que "lamenta não poder o Almanaque utilizar minhas contribuições, por este já se encontrar inteiramente impresso, desde muito tempo.”
Engoli-o, com irritação. O livreiro Wigand remeteu o meu plano ao Sr. Schmidt, editor da casa empresarial de Wunder, que vende bons queijos e má literatura. Sua carta anexo à presente. O Sr. Schmidt ainda não respondeu. Entretanto, não abandonarei, de nenhuma forma, o plano em questão, já que todas as celebridades estéticas da Escola de Hegel prometeram-me a sua cooperação, mediante a intermediação seja do Professor Bauer, que desempenha entre eles um importante papel, seja do meu coadjutor Dr. Rutenberg.
No que concerne, então, à questão da carreira junto à fazenda pública, conheci, meu caro pai, recentemente, um assessor chamado Schmidthänner que me aconselhou a passar a atuar como juiz assessor, depois do terceiro exame de Direito, o que tanto mais aceitaria, na medida em que prefiro realmente a Ciência do Direito a todas Ciências da Administração. Esse senhor disse-me que ele mesmo e muitos outros chegaram até o posto de assessor junto ao Supremo Tribunal Estadual da Vestfália em três anos, o que não teria sido difícil. É possível entender isso, quando se trata de muitos tipos de trabalho, já que, na Vestfália, os estágios não são rigidamente determinados, tal como em Berlim e alhures.
Posteriormente, obtendo-se, como assessor, um título de Doutor, existirão também perspectivas muito mais fáceis de poder atuar, imediatamente, como Professor Extraordinário, tal como ocorreu com H. Gärtner, em Bonn, que escreveu um trabalho medíocre sobre códigos de província e, ademais disso, não é senão conhecido por ser um adepto da Escola dos Juristas Hegelianos.
Porém, meu caro e bom pai, não seria possível tratar disso tudo pessoalmente com você ?
O estado de Eduard, o sofrimento da minha amada mãezinha, o seu próprio mal-estar - ainda que espere não seja grave -, tudo isso faz com que deseje apressar-me a ir encontrar-vos, em verdade torna isso quase uma necessidade. Já estaria aí convosco, caso não duvidasse fortemente do seu assentimento e permissão. Creia-me, meu querido e amado pai, não me sinto impelido por nenhum propósito egoísta (muito embora me resultaria bem-aventurado poder rever Jenny), porém existe um sentimento que me move e que não posso declarar. Para mim, seria, até mesmo, em diversos sentidos, um passo muito duro, porém, tal como me escreve minha única e doce Jenny, todas essas considerações perdem a importância, em face do cumprimento dos devereres que são sagrados.
Seja lá o modo como venha a decidir isso, peço-lhe, meu caro pai, não mostrar essa carta - no mínimo essa página - a minha mãe angelical. Minha chegada repentina poderia ajudar, quem sabe, a recuperar essa grande e maravilhosa mulher. Minha carta à mamãe foi escrita muito antes da chegada da estimada carta de Jenny e, assim, talvez, tenha eu escrito, inconscientemente, demais sobre assuntos que não são absolutamente adequados ou o são apenas muito pouco.
Na esperança de que, gradualmente, dissipem-se as núvens que se acumularam sobre nossa família, que a mim me seja permitido, sofrer e chorar convosco e, talvez, em vossa proximidade, dar provas de minha profunda e íntima simpatia, provas de meu incomensurável amor, que, freqüentemente, posso apenas expressar de modo tão ruim;
Na esperança de que você, meu caro e eternamente amado pai, tendo em conta o aspecto do meu estado de ânimo por demais agitado, perdoe-me, onde meu coração aparenta, freqüentemente, ter-se equivocado, enquanto meu espírito combativo acomete, e desejando que também você se recupere plenamente, de sorte que possa eu o apertar em meu coração e declarar-lhe todos os meus pensamentos, subscrevo-me,
seu filho que o ama eternamente
Karl
P.S. : Perdoe, meu caro pai, minha letra ilegível e o meu mau estilo. Já são quase 4 horas da manhã, a vela já se extinguiu inteiramente e meus olhos estão turvos. Um verdadeiro sobressalto apoderou-se de mim. Não serei capaz de acalmar os espectros turbulentos, até que me encontre na vossa amada proximidade.
Cumprimente, por favor, minha doce e maravilhosa Jenny. Já li sua carta 12 vezes e nela sempre descubro novos estímulos. Em todos os sentidos - incluindo o artístico - é a mais bela carta que posso imaginar ter sido redigida por uma mulher.
Cf. MARX, KARL HEINRICH. Brief an den Vater in Trier(Carta ao Pai em Trier)(10 de Novembro de 1837), in : Karl Marx & Friedrich Engels Werke(Obras de Marx e Engels), Vol. 40, Berlim : Dietz Verlag, 1973, pp. 3 e s. Cumpre anotar que a presente carta de Marx, traduzida, agora, pela primeira vez, para a língua portuguesa, é a única, por ele redigida, em seus anos universitários que foi efetivamente preservada. Em alemão, sua publicação foi realizada, pela primeira vez, nas colunas do mais importante jornal da Social-Democracia Alemã, DIE NEUE ZEIT (O Novo Tempo), Nr. 1, em 1897. A carta de Marx aqui em realce, constitui o primeiro relato abrangente de seu expressivo desenvolvimento intelectual, obtido, outrora, ao tempo em que freqüentava a Universidade de Berlim. Marx informa-nos aqui acerca de sua colossal dedicação ao estudo científico e suas tentativas de esboço de sistemas de Ciência do Direito, fundados, essencialmente, na tradição herdada a partir do Direito Romano, que lhe fora, muito possivelmente, transmitida em aulas ministradas diretamente por Friedrich Carl von Savigny. Concluído o seu próprio sistema jurídico-científico inaugural, Marx afirma ter entrevisto "a falsidade do todo que, no esquema fundamental, faz fronteira com o de Kant ...", destacando que "sem a Filosofia não seria possível penetrar". Também na presente carta, é possível verificar importantes avanços de Marx, no sentido da formulação do materialismo histórico-dialético, ao declarar, entre outras coisas, que : "Partindo do idealismo, o qual, dito de passagem, comparei e enriqueci com o idealismo de Kant e o de Fichte, cheguei ao ponto, então, de investigar a idéia, na realidade mesma." E, a seguir : "Durante minha doença, conheci Hegel do início ao fim, juntamente com a maioria de seus discípulos."
Anotação de Emil Asturig von München : Vale a pena recordar que as Pandectas representam uma das partes do Corpus Iuris Civilis (Corpo de Direito Romano), elaborado por ordem do Imperador Romano do Oriente, Justiniano I, entre 528 e 534. As Pandectas ou o Digesto contêm excertos dos trabalhos de Direito Civil e Direito Criminal de diversos juristas romanos. Sobre o tema, vide, mais precisamente, Cf. CORPUS IURIS CIVILIS. DIGESTORUM SEU PANDECTARUM PARS PRIMA. LIBER PRIMUS. (Corpo de Direito Civil. Primeira Parte do Digesto ou das Pandectas. Primeiro Livro)(30 de Dezembro de 533), in : Corpus Iuris Civilis, Recognovit Paul Krueger / Theodor Mommsen, Berlim - Hildesheim : Weidmann, 1872, Vol. 1, pp. 3 e s. Uma tradução para o português das Pandectas pode ser encontrada em EMIL VON MÜNCHEN, ASTURIG & SCHMIDT VON KÖLN, PORTAU. Pequenos Textos para a Luta do Materialismo Histórico-Dialético contra os Fundamentos do Corpus Iuris Civilis (Corpo de Direito Romano) : O Codex Repetitae Praelectionis, o Digesto - As Pandectas -, As Institutas e as Novellae Constitutiones, Sustentáculos Antediluvianos da Abstrata Dualidade Geométrica Burguesa-Capitalista Privado-Pública da Atualidade, in : http://www.scientific-socialism.de/LeninMaterialismoAnexoCapa.htm Além disso, vide HEINECCIUS, JOHANN GOTTLIEB. Opera ad Universam Iurisprudentiam. 8 Continens Opuscula Posthuma, ex Schiedis Paternis Edita, Tomos de 1 a 8, Geneva : Fratres de Tournes, 1771, pp. 3 e s.; em particular IDEM. Antiquitatum Romanorum Iurisprudentiam Illustratium Syntagma Secundum Ordinem Institutionum Iustiniani Digestum (1718), Francofortum : Haubold, 1822, pp. 3 e s.; IDEM. Historia Iuris Civilis Romani ac Germani (1733), Argentoratum : Bauer, 1754, pp. 5 e s.; IDEM. Elementa Iuris Naturae et Gentium, (1737), Frankfurt a.M. : Insel Verlag, 1994, pp. 3 e s.; THIBAUT, ANTON FRIEDRICH JUSTUS. System des Pandektenrechts (Sistema do Direito das Pandectas)(1803), Tomos de 1 a 3, Jena : Mauke, 1831, pp. III e s.; IDEM. Über die Nothwendigkeit eines allgemeinen bürgerlichen Rechts für Deutschland (Sobre a Necessidade de um Direito Civil Geral para a Alemanha)(1814), Heidelberg : Mohr, 1840, pp. 5 e s.
Lamentavelmente, esse trabalho de Marx não parece ter sido preservado.
Indicação de Emil Asturig von München : Acerca do tema, vide, mais detalhadamente, FICHTE, JOHANN GOTTLIEB. Grundlage des Naturrechts nach Prinzipien der Wissenschaftslehre (Fundamento do Direito Natural segundo Princípios da Doutrina da Ciência)(1796), Hamburg : Meiner, 1979, pp. 3 e s.; IDEM. Rechtslehre (Doutrina do Direito)(1812), Leipzig :Meiner, 1920, pp. 5 e s.
Anotação de Emil Asturig von München : Marx parece ter elaborado essa citação do pensamento de Friedrich Carl von Savigny inteiramente de memória. Vide, mais especificamente, acerca do tema SAVIGNY, FRIEDRICH CARL VON. Das Recht des Besitzes. Eine civilistische Abhandlung (O Direito da Posse. Um Tratado Civilista)(1803), Viena : Gerold, 1865, pp. 5 e s.; IDEM. Vom Beruf unserer Zeit für Gesetzgebung und Rechtswissenschaft (Sobre a Vocação de nosso Tempo para a Legislação e a Ciência do Direito), Heidelberg, 1814, pp. 5 e s.; IDEM. Grundgedanken der Historischen Rechtsschule (Pensamentos Fundamentais da Escola Histórica do Direito)(1814-1840), Franfurt a.M. : Klostermann, 1948, pp. 3 e s.; IDEM. Geschichte des römischen Rechts im Mittelalter (História do Direito Romano na Idade Média)(1815-1831), Tomos de 1 a 7, Heidelberg : Mohl, 1834-1851, pp. 3 e s.; IDEM. Über den römischen Colonat und über die römische Steuerverfassung unter den Kaisern (Sobre o Colonato Romano e Constituição Tributária Romana sob os Imperadores), Berlim : Königl. Akad d. Wiss., 1823, pp. 5 e s.; IDEM. System des heutigen römischen Rechts (Sistema do Direito Romano da Atualidade), (1840-1849), Tomos de 1 a 9, Berlim : Veit, 1840-1851,pp. 7 e s.; IDEM. Juristische Methodenlehre nach der Ausarbeitung des Jakob Grimm (Doutrina do Método Jurídico Segundo a Elaboração de Jakob Grimm), Stuttgart : Koehler, 1951, pp. 7 e s.; IDEM. Politik und neuere Legislationen. Materialien zum "Geist der Gesetzgebung" (Política e Legislação Mais Nova. Materiais sobre o "Espírito da Legislação"), Frankfurt a.M. : Klostermann, 2000, pp. III e s.; IDEM. Vorlesung über juristische Methodologie 1802-1842 (Aulas sobre Metodologia Jurídica de 1802 a 1842), Frankfurt a.M. : Klostermann, 2004, pp. 5 e s.
Anotação de Emil Asturig von München : No que concerne ao sistema de Direito de Kant e à sua classificação de contratos jurídicos, vide, especialmente, KANT, IMMANUEL. Grundlegung der Metaphysik der Sitten (Fundamentos da Metafísica dos Costumes) (1785), especialemente Parte I : Rudimentos Metafísicos da Doutrina do Direito, Göttingen : Vandenhoeck und Ruprecht, 2004, pp. 17 e s.
Indicação de Emil Asturig von München : Acerca do tema, vide LESSING, GOTTHOLD EPHRAIM. Laokoon oder über die Grenze der Malerei und Poesie (Laokoon ou sobre os Limites da Pintura e Poesia)(1766), Leipzig : Phil. Recl., 1940, pp. 3 e s.; SOLGER, KARL WILHELM FERDINAND. Erwin. Vier Gepräche über das Schöne und die Kunst (Erwin. Quatro Conversações sobre o Belo e a Arte)(1815), Berlim : Henckmann, 1971, pp. 3 e s.; WINCKELMANN, JOHANN JOACHIM. Geschichte der Kunst des Altertums (História da Arte da Antigüidade)(1764), Mainz : Von Zabern, 2002, pp. III e s.; LUDEN, HEINRICH. Geschichte des teutschen Vokes (História do Povo Teutônico)(1825-1845), Tomo de 1 a 9, Gotha : Pertes, pp. 5 e s.
Indicação de Emil Asturig von München : A esse respeito, vide TACITUS, PUBLIUS CORNELIUS. Germania. De Origine et Situ Germanorum Liber (98 d.C.), Leipzig : Teubner, 1878, p. 1 e s.; OVIDIUS NASO, PUBLIUS. Tristia, De Tristibis Libri Quinque (8 - 12 d.C.), Ingolstadium : Jac. Pontans, 1728, pp. 3 e s.; KLEIN, ERNST FERDINAND. Grundsätze der natürlichen Rechtswissenschaft nebst einer Geschichte derselben(Fundamentos da Ciência do Direito Natural, ladeada pela História da Mesma)(1797), Halle : Hemmerde u. Schwetschke, Reprints Samml. 1979, pp. 3 e s.; IDEM. Annalen der Gesetzgebung und Rechtsgelehrsamkeit in den preussischen Staaten (Anais da Legislação e da Erudição Jurídica nos Estados Prussianos), 1788 - 1809, Berlim : Nicolai, pp. 5 e s.
Indicação de Emil Asturig von München : Vide, sobre o tema, KANT, IMMANUEL. Grundlegung der Metaphysik der Sitten (Fundamentos da Metafísica dos Costumes) (1785), especialemente Parte I : Rudimentos Metafísicos da Doutrina do Direito, Göttingen : Vandenhoeck und Ruprecht, 2004, pp. 17 e s.; FICHTE, JOHANN GOTTLIEB. Grundlage des Naturrechts nach Prinzipien der Wissenschaftslehre (Fundamento do Direito Natural segundo Princípios da Doutrina da Ciência)(1796), Hamburg : Meiner, 1979, pp. 3 e s.; IDEM. Rechtslehre (Doutrina do Direito)(1812), Leipzig :Meiner, 1920, pp. 5 e s.; HEGEL, GEORG WILHELM FRIEDRICH. Enzyklopädie der philosophischen Wissenschaften im Grundrisse (Enciclopédia das Ciências Filosóficas em Delineamentos)(1817), Hamburg : Meiner, 1959, pp. 5 e s.
Lamentavelmente, esse trabalho de Marx não parece ter sido preservado.
Anotação de Emil Asturig von München : Anote-se que no manuscrito original de Karl Marx é impossível decifrar qual é o encerramento desse parágrafo. Possivelmente, trate-se de dois fragmentos de palavras rasuradas.
Indicação de Emil Asturig von München : Acerca do tema, vide SAVIGNY, FRIEDRICH CARL VON. Das Recht des Besitzes. Eine civilistische Abhandlung (O Direito da Posse. Um Tratado Civilista)(1803), Viena : Gerold, 1865, pp. 5 e s.; FEUERBACH, PAUL JOHANN ANSELM RITTER VON. Blick auf die deutsche Rechtswissenschaft (Uma Vista da Ciência do Direito Alemã), Munique : Unterholzner, 1810, pp. 1 e s.; IDEM. Entwurf des Gesetzbuches über Verbrechen und Vergehen für das Königreich Baiern (Projeto do Código de Crimes e Infrações do Reino da Baviera), Munique : Red. d. Reg. Blattes, 1810, pp. I e s.; GROLMANN, KARL LUDWIG WILHELM VON. Grundsätze der Criminalrechtswissenschaft (Fundamentos da Ciência do Direito Criminal)(1798), Gießen : Heyer, 1818, pp. 3 e s.; IDEM. Über die Begründung des Strafrechts und der Strafgesetzgebung nebst einer Entwickelung der Lehre von dem Maasstabe der Strafen und juristischen Imputation (Sobre a Fundamentação do Direito Penal e da Legislação Penal, ladeada por um Desenvolvimento da Doutrina do Padrão das Penas e da Imputação Jurídica), Gießen : Heyer, 1799, pp. 7 e s.; CRAMER, ANDREAS WILHELM. De Verborum Significatione, Kilia : Kilia, 1811, pp. 5 e s.; WENING-INGENHEIM, JOHANN NEPOMUK VON. Über den Geist des Studiums der Jurisprudenz (Sobre o Espírito do Estudo da Ciência do Direito), Landhut : Krüll, 1814, pp. III e s.; IDEM. Ueber die Mängel und Gebrechen der juristischen Lehrmethode (Sobre as Deficiências e Debilidades do Método de Ensino Jurídico), Landshut : Krüll, 1820, pp. 5 e s.; IDEM. Lehrbuch der Encyklopädie und Methodologie der Rechtswissenschaft (Manual da Enciclopédia e Metodologia da Ciência do Direito), Landshut : Krüll, 1821, pp. 5 e s.; IDEM. Lehrbuch des gemeinen Civilrechts nach Heise's Grundriß (Manual do Direito Civil Comum segundo um Plano de Heise, Tomos de 1 a 3, Munique : Georg Heise, 1827, pp. 3 e s.; MÜHLENBRUCH, CHRISTIAN FRIEDRICH. Doctrina Pandectarum, Tomos de 1 a 3, Halis Saxonia : Schwetscheke, 1830, pp. 1 e s.; IDEM. Doctrina Pandectarum Scholarum in usum, Tomos de 1 a 3, Hala Saxonum : Schwetschke, 1838-1840, pp. 7 e s.; LAUTERBACH, WOLFGANG ADAM. Compendium iuris, Tubingae - Francofurti - Lipsiae : Cotta, 1730, pp. 3 e s. ; LANCELOTTI, GIOVANNI PAOLO. Institutiones iuris canonici, Tomos de 1 a 4, Hala Magdeburgum, 1717, pp. 5 e s.
Indicação de Emil Asturig von München : Vide, a esse respeito, ARISTOTELES DE ESTAGIRA. Tekhne Rhetorike (Técnica da Retórica)(entre 384 e 322 a.C.), Munique, Fink, 1995, pp. 3 e s.; BACO VON VERULAM (BACON, FRANCIS), De Dignitate et Augmentis Scientiarum(1605), Darmstadt : Wiss. Buchges., 1966, pp. 5 e s.; REIMARUS, HERMANN SAMUEL. Allgemeine Betrachtungen über die Triebe der Thiere, hauptsächlich über ihre Kunsttriebe (Considerações Gerais sobre os Impulsos dos Animais, Principalmente sobre seu Impulso Artístico)(1762), Göttingen : Vandenhoeck & Ruprecht, 1982, pp. 5 e s.; CAPITULARIA REGUM FRANCORUM. ed. Stephanus Baluzius, Parisiis : H. Welter, 1902, pp. 5 e s.
Indicação de Emil Asturig von München : Sobre esse ponto, vide, sobretudo, HEGEL, GEORG WILHELM FRIEDRICH. Phänomenologie des Geistes (Fenomenologia do Espírito)(1806-1807), Jena : Friedrich Schiller, 1971, pp. 11 e s.; IDEM. Wissenschaft der Logik (Ciência da Lógica)(1812-1816), Hamburg : Meiner, 1952, pp. 7 e s.; IDEM. Grundlinien der Philosophie des Rechts oder Naturrecht und Staatswissenschaft im Grundrisse (Linhas Fundamentais da Filosofia do Direito ou Direito Natural e Ciência do Estado em Delineamentos)(1821), Berlim : Akad. Verl., 1981, pp. 3 e s. ; IDEM. Enzyklopädie der philosophischen Wissenschaften im Grundrisse (Enciclopédia das Ciências Filosóficas em Delineamentos)(1817), Hamburg : Meiner, 1959, pp. 5 e s.
Anotação de Emil Asturig von München : O "Doctorclub (Clube de Doutores)" em referência foi fundado por representantes da ala radical ou de esquerda da Escola Hegeliana, em Berlim, em 1837. Entre seus membros, encontravam-se o Professor de Teologia da Universidade de Berlim, Bruno Bauer, o Professor de História de Ginásio, Karl Friedrich Köppen, e o Professor de Geografia, Adolf Rutenberg, bem como Edgar Bauer, Ludwig Buhl, Karl Nauwerk e Max Stirner. O clube em tela, de que Marx foi membro ativo, devido a seus largos e profundos conhecimentos das obras de Hegel, desempenhou um importante papel no movimento hegeliano da época. Pouco tempo depois, também Friedrich Engels veio a ntegrar o clube em referência, em um momento, porém, em que Marx já dele não mais participava. Já no início dos anos 40 do século XIX, o Clube de Doutores passou a denominar-se "Círculo dos Jovens Hegelianos Libertados".
Lamentavelmente, esse trabalho não parece ter sido preservado.
Anotação de Emil Asturig von München : Marx refere-se, aqui, ao "Deutscher Musenalmanach (Almanaque Alemão de Musas)" , publicado, anualmente, a partir de 1829, na cidade de Leipzig.
Anotação de Emil Asturig von München : Tal como se depreende de uma carta de Heinrich Marx, dirigida a seu filho, Karl Marx, datada de 16 de setembro de 1837, este pretendia publicar um jornal de crítica teatral.
Anotação de Emil Asturig von München : A carta em realce, dirigida por Marx à sua mãe, parece não ter sido preservada.
PROJETO DE CURSO QUINTAS FILOSÓFICAS - Os clássicos da Teoria Crítica da Sociedade: diálogos entre a filosofia e a educação a partir de Karl Marx"
CENTRO DE EDUCAÇÃO
NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÃO E FILOSOFIA
I. Identificação: PROJETO DE CURSO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
1.1. Título: QUINTAS FILOSÓFICAS – “Os clássicos da Teoria Crítica da Sociedade: diálogos entre a filosofia e a educação a partir de Karl Marx”
1.2. Período: 1° Módulo 10.03.2010 a 07.07.2010; 2° Módulo 12.08.2010 a 15.12.2010
1.3. Carga horária total: 160h (cento e sessenta horas)
1.4. Carga horária semanal do coordenador e supervisora: 5 (cinco) horas
1.5. Local de Atuação: - SALA 4 DO CENTRO DE EDUCAÇÃO/UFES
1.6. Público Alvo:
1.3.1 Acadêmicos (discentes e docentes) da UFES e Instituições de Ensino Superior da Grande Vitória, docentes da educação básica, graduados em áreas afins;
1.3.2 Vagas: Serão ofertadas 20 vagas. Os interessados serão submetidos a uma avaliação, com informações na ficha de inscrição e, se necessário, uma entrevista com os professores responsáveis
1.7. Instituições Envolvidas: Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação e Filosofia da UFES (CE/UFES); CENTRO DE EDUCAÇÃO/UFES; CEFD/UFES
1.8. Equipe de Trabalho:
Coordenação Administrativa: Prof. Dr. Robson Loureiro (UFES)
Coordenação pedagógica: Profª Drª Sandra Soares Della Fonte (UFES)
Monitoras: Luciana Molina Queiroz (5° período de Filosofia/UFES); Tamiris de Souza Oliveira (8° período de Pedagogia/UFES)
II. Resumo:
O curso tem como foco a introdução aos estudos dos principais clássicos da Teoria Crítica da Sociedade (Escola de Frankfurt) e a inter-relação entre essa abordagem teórica e o campo educacional. Essa opção representa uma decisão acadêmico-política. Diante dos apelos pragmáticos que se impõem à universidade e da atmosfera contemporânea de “aversão à teoria” (ADORNO apud LOUREIRO, 2007), este projeto zela, nos limites das contradições postas, por uma formação cultural ampla e com rigor teórico. Assume-se, assim, que a universidade tem o compromisso com a formação de intelectuais capazes de estabelecer relações entre aquilo que se considera antigo e ultrapassado e o que é concebido como novo e atual.
Justificativa:
O projeto visa dar continuidade ao projeto de curso de extensão Teoria Crítica da Sociedade: diálogos com a filosofia e a educação (Registro PROEX 55202/2008, renovado para 2009), realizado no 1° e 2° semestres de 2009. Uma parcela significativa dos alunos que participaram do curso revelou que para avançar nos estudos da Teoria Crítica da Sociedade seria importante retornar a alguns de seus clássicos inspiradores. Mas, por que ler os clássicos? Poderíamos aqui repetir o que afirma Ítalo Calvino: “A única razão que se pode apresentar é que ler os clássicos é melhor do que não ler os clássicos” (CALVINO, 1993, p. 4). É claro que, assim posta, a afirmação parece um tanto enigmática, pois, afinal, por que é preferível lê-los a não lê-los?
Saviani considera que o clássico não se confunde nem com o tradicional, nem se opõe ao moderno; “Clássico, em verdade, é o que resistiu ao tempo” (SAVIANI, 1991, p. 25) porque “é aquilo que se firmou como fundamental, como essencial” (SAVIANI, 1991, p. 21). Ele resiste ao tempo, pelo menos, por uma dupla razão. Ele continua a mobilizar questões e temas, a despeito de quando foi escrito. Nas palavras de Calvino, “Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer” (CALVINO, 1993, p. 2). Mas como o clássico preserva essa contemporaneidade? Para Calvino, “É clássico aquilo que persiste como rumor mesmo onde predomina a atualidade mais incompatível” (CALVINO, 1993, p. 4). Ao se imporem como inesquecíveis ou se ocultarem na memória, os clássicos influenciam “mimetizando-se como inconsciente coletivo ou individual” (CALVINO, 1993, p. 1). Portanto, livros ou autores clássicos assim o são porque conseguem condensar a riqueza e a profundidade da objetivação humana em um determinado tempo. Ao conseguirem fazer isso, dialogam com a história futura, pois trazem à baila relações que contribuíram para a constituição do presente e do porvir.
Segundo Calvino, os clássicos só devem ser lidos por amor ou por respeito. A exceção, para o autor, constitui-se no ambiente escolar: “[...] a escola deve fazer com que você conheça bem ou mal um certo número de clássicos dentre os quais (ou em relação aos quais) você poderá depois reconhecer os ‘seus’ clássicos. A escola é obrigada a dar-lhe instrumentos para efetuar uma opção: mas as escolhas que contam são aquelas que ocorrem fora e depois de cada escola” (CALVINO, 1993, p. 3).
Ao seguir essa orientação, este projeto de extensão ratifica que os clássicos configuram-se como substância da formação cultural a ser garantida pela educação escolar (inclusive a universitária), pois é por meio da apropriação e do diálogo com eles que se pode desenvolver a autonomia intelectual.
São dois, os eixos de discussão que orientarão o estudo dos clássicos da Teoria Crítica. O primeiro diz respeito a aspectos filosóficos de sua produção intelectual, em especial sua concepção ontológica e gnosiológica. O segundo consiste na sua contribuição para a compreensão do fenômeno educacional no sentido lato e escolar.
Dentre os vários clássicos que influenciaram a Teoria Crítica, Karl Marx será o primeiro a ser estudado por meio deste projeto de curso de extensão. Por quê? A despeito de outras influências que sofreu, é dentro da tradição do marxismo ocidental que a Teoria Crítica se coloca. Portanto, é essa tradição que constitui a matriz fundamental da Teoria Crítica e a partir da qual a apropriação de outras influências ocorre.
III. Objetivos da Atividade:
4.1 Geral:
Desenvolver estudos sobre filosofia e educação, tendo como interlocutores os principais clássicos inspiradores da Teoria Crítica da Sociedade (Escola de Frankfurt), em especial Karl Marx.
4.2 Específicos:
Analisar a contribuição de Karl Marx no diálogo entre a Teoria Crítica da Sociedade, a Filosofia e o campo educacional;
Evidenciar a atualidades de pressupostos marxianos para o debate filosófico contemporâneo e para a compreensão dos fenômenos educacionais.
IV. Metas
Em 2010/1, o presente curso de extensão tem como meta abordar a teorização marxiana, partindo de aspectos históricos e biográficos de Karl Marx, as fontes inspiradoras de seus estudos (a economia política, a filosofia alemã e o socialismo utópico), obras de sua juventude (com particular destaque para os Manuscritos econômico-filosóficos de 1844) e sua ruptura com os jovens hegelianos (obras como A ideologia alemã e o texto Teses contra Feuerbach).
Em 2010/2, a meta do curso é centrar o estudo em obras como Para crítica da economia política, Crítica do Programa de Gotha e O capital.
V. Metodologia
5.1. Atividades Propostas:
Leitura de livros, periódicos acadêmicos;
Análise de filmes e documentários;
Elaboração de apontamentos sobre o material estudado;
Produção de seminário e artigos acadêmicos.
5.2. Procedimentos:
O curso consiste de dois momentos: 1) Encontros presenciais (quinzenais) com os Professores responsáveis, para debate e aprofundamento do material de estudo sugerido; 2) Trabalhos individuais/coletivos de leitura, estudo, sistematização e elaboração de apontamentos do material de estudo proposto em momento extra-aula.
5.3. Sistemas de Avaliação e Acompanhamento:
A avaliação do curso, dos professores e dos participantes será feita ao longo do ano em especial pelo procedimento dialógico e pelo registro escrito dos participantes. Para efeito de aprovação no curso, serão consideradas: 1) 75% de freqüência nos momentos presenciais; 2) elaboração de artigo acadêmico que problematize algumas das temáticas abordadas e do material utilizado como referência.
VI. Cronograma de Execução: (data de realização/etapas)
1° Módulo: 10.03.2010 a 07.07.2010
2° Módulo: 12.08.2010 a 15.12.2010
VII. Recursos:
7.1. Humanos
Prof. Coordenador-Administrativo – Dr Robson Loureiro (UFES)
Profª Coordenadora-Pedagógica – Drª Sandra Soares Della Fonte (UFES)
Profs Convidados – A serem confirmados;
Monitoras: Luciana Molina Queiroz (Acadêmica 5° período de Filosofia) e Tamiris Souza de Oliveira
7.2. Materiais
Sala de aula;
Equipamento multimídia: aparelho de DVD, computador com mouse, teclado, caixa de som; tela para exibição de imagens;
7.3. Financeiros (indicação da fonte e com planilha de custos, se houver)
O curso será gratuito (não haverá cobrança de qualquer tipo de taxa)
VIII. Resultados Esperados:
A partir dos estudos realizados no curso, o resultado esperado é a organização de uma brochura com os artigos elaborados pelos participantes, cujo objetivo é aprofundar a relação filosofia e educação a partir da teoria marxiana.
IX. Considerações Finais:
A universidade pública brasileira necessita prosseguir e perseguir sua tarefa precípua de formar intelectuais capazes de articular o passado, o presente e o futuro. Em tempos de multiculturalismo e defesa da diferença, é fundamental que a academia não reprima, não discrimine e não exclua, da discussão pública, os clássicos autores que estão na base do pensamento contemporâneo. Não deixa de ser atual a idéia do Filósofo medieval Bernardo de Chartres: “Somos anões empoleirados nos ombros de gigantes. Assim, vemos melhor e mais longe do que eles, não porque nossa vista seja mais aguda ou nossa estatura mais alta, mas porque eles nos elevam até o nível de toda a sua gigantesca altura...”. Quanto mais longe no passado, menos obscuro se torna nosso presente e menos bárbaro nosso futuro.
X Referências Bibliográficas
ADORNO, Theodor Wiesengrund. Lições de sociologia. (Tradução de João Tiago Proença e Manuel Seca de Oliveira). Lisboa: Edições 70, 2004.
______. Negative dialectics. New York/London: Continuum, 2003a.
_____. Educação após Auschwitz. In: ______. Educação e emancipação. (Tradução de Wolgang Leo Maar). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995a. p. 119-138.
______. Progresso. In: ______ . Palavras e sinais: modelos críticos 2. (Tradução de Maria Helena Ruschel). Petrópolis: Vozes, 1995b. p. 37-61.
______. Notas marginais sobre teoria e práxis. In: ______. Palavras e sinais: modelos críticos 2. (Tradução de Maria Helena Ruschel). Petrópolis: Vozes, 1995c. p. 202-229.
______. Observações sobre o pensamento filosófico. In: ______ . Palavras e Sinais: modelos críticos 2. (Tradução de Maria Helena Ruschel). Petrópolis: Vozes, 1995d. p. 15-25.
______. O que significa elaborar o passado. In: ______. Educação e emancipação. (Tradução de Wolgang Leo Maar). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995e. p. 29-50.
______. Tabus acerca do magistério. In: ______. Educação e emancipação. (Tradução de Wolgang Leo Maar). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995f. p. 97-118.
Adorno T. W. Educação e emancipação. In: ______. Educação e emancipação. (Tradução de Wolgang Leo Maar). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995g. p. 169-185.
______. Educação ... para quê? In: ______. Educação e emancipação. (Tradução de Wolfgang Leo Maar). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995h. p. 139-154.
______. Teoria da semicultura. (Tradução de Newton Ramos-de-Oliveira). Araraquara: UNESP, 1992. Mimeografado.
______. La idea de historia natural. In: ______. Actualidad de la filosofia. Barcelona: Paidós, 1991a. p. 103-134.
______. A indústria cultural. In: COHN, Gabriel (Org.). Theodor Adorno: Sociologia. São Paulo: Ática, 1986b. p. 92-99 (Coleção Grandes Cientistas Sociais).
______. Teoria estética. (Tradução de Artur Mourão). São Paulo: Martins Fontes, 1982.
______. Dialectica Negativa. (Versão em espanhol – Tradução de José Maria Ripalda). Madrid: Taurus, 1975.
ADORNO, T. W & HORKHEIMER, Max. Indústria cultural: o iluminismo como mistificação das massas. In: ADORNO, T. Indústria cultural e sociedade. São Paulo: Paz e Terra, 2002. p. 7-80.
______. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. (Tradução de Guido Antônio de Almeida). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.
CALVINO, Ítalo. Por que ler os clássicos. In: ______. Por que ler os clássicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1993. p. 9-16. Disponível em: <http://www.lumiarte.com/luardeoutono/calvino.html>. Acesso em: 27 março 2005.
LOUREIRO, Robson. Aversão à teoria e indigência da prática: crítica a partir da filosofia de Adorno. Educação & Sociedade, v. 28, n. 99, p. 522-541, 2007. Disponível em:. Acesso em: 1 fev. 2010.
MAAR, Wolfgang Leo. Adorno: a atualidade da dialética. Margem esquerda: ensaios marxistas. São Paulo: Boitempo, n. 2, p. 112-120, nov. 2003 / maio 2004.
______. À guisa de introdução: Adorno e a experiência formativa. In: ADORNO, T. W. Educação e emancipação. São Paulo: Paz e Terra, 1995. p. 11- 28.
MANACORDA, Mario Alighiero. História da educação: da Antigüidade aos nossos dias. (Tradução de Gaetano Lo Monaco) 5. ed. São Paulo: Cortez, 1996.
MARX, Karl. Crítica do Programa de Gotha. Disponível em: http://www.marxists.org/portugues/marx/1875/gotha/index.htm. Acesso em: 30.05.2007.
MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. (Tradução de Jesus Ranieri). São Paulo: Boitempo, 2004.
______. O 18 Brumário de Luís Bonaparte. In: ______. Os pensadores. 4. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1988. p. 1-82. v. II.
______. Introdução à crítica da Economia Política. In: ______. Os pensadores. 4. ed. (Tradução de José Arthur Giannotti e Edgar Malagodi). São Paulo: Nova Cultural, 1987. p. 3-25. v. I.
______. O capital: crítica da economia política. (Tradução de Reginaldo Sant’Anna). Livro I. 10. ed. São Paulo: Difel, 1985. v. I.
SAVIANI, Dermeval. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. São Paulo: Cortez/ Autores Associados, 1991.
NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÃO E FILOSOFIA
I. Identificação: PROJETO DE CURSO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
1.1. Título: QUINTAS FILOSÓFICAS – “Os clássicos da Teoria Crítica da Sociedade: diálogos entre a filosofia e a educação a partir de Karl Marx”
1.2. Período: 1° Módulo 10.03.2010 a 07.07.2010; 2° Módulo 12.08.2010 a 15.12.2010
1.3. Carga horária total: 160h (cento e sessenta horas)
1.4. Carga horária semanal do coordenador e supervisora: 5 (cinco) horas
1.5. Local de Atuação: - SALA 4 DO CENTRO DE EDUCAÇÃO/UFES
1.6. Público Alvo:
1.3.1 Acadêmicos (discentes e docentes) da UFES e Instituições de Ensino Superior da Grande Vitória, docentes da educação básica, graduados em áreas afins;
1.3.2 Vagas: Serão ofertadas 20 vagas. Os interessados serão submetidos a uma avaliação, com informações na ficha de inscrição e, se necessário, uma entrevista com os professores responsáveis
1.7. Instituições Envolvidas: Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação e Filosofia da UFES (CE/UFES); CENTRO DE EDUCAÇÃO/UFES; CEFD/UFES
1.8. Equipe de Trabalho:
Coordenação Administrativa: Prof. Dr. Robson Loureiro (UFES)
Coordenação pedagógica: Profª Drª Sandra Soares Della Fonte (UFES)
Monitoras: Luciana Molina Queiroz (5° período de Filosofia/UFES); Tamiris de Souza Oliveira (8° período de Pedagogia/UFES)
II. Resumo:
O curso tem como foco a introdução aos estudos dos principais clássicos da Teoria Crítica da Sociedade (Escola de Frankfurt) e a inter-relação entre essa abordagem teórica e o campo educacional. Essa opção representa uma decisão acadêmico-política. Diante dos apelos pragmáticos que se impõem à universidade e da atmosfera contemporânea de “aversão à teoria” (ADORNO apud LOUREIRO, 2007), este projeto zela, nos limites das contradições postas, por uma formação cultural ampla e com rigor teórico. Assume-se, assim, que a universidade tem o compromisso com a formação de intelectuais capazes de estabelecer relações entre aquilo que se considera antigo e ultrapassado e o que é concebido como novo e atual.
Justificativa:
O projeto visa dar continuidade ao projeto de curso de extensão Teoria Crítica da Sociedade: diálogos com a filosofia e a educação (Registro PROEX 55202/2008, renovado para 2009), realizado no 1° e 2° semestres de 2009. Uma parcela significativa dos alunos que participaram do curso revelou que para avançar nos estudos da Teoria Crítica da Sociedade seria importante retornar a alguns de seus clássicos inspiradores. Mas, por que ler os clássicos? Poderíamos aqui repetir o que afirma Ítalo Calvino: “A única razão que se pode apresentar é que ler os clássicos é melhor do que não ler os clássicos” (CALVINO, 1993, p. 4). É claro que, assim posta, a afirmação parece um tanto enigmática, pois, afinal, por que é preferível lê-los a não lê-los?
Saviani considera que o clássico não se confunde nem com o tradicional, nem se opõe ao moderno; “Clássico, em verdade, é o que resistiu ao tempo” (SAVIANI, 1991, p. 25) porque “é aquilo que se firmou como fundamental, como essencial” (SAVIANI, 1991, p. 21). Ele resiste ao tempo, pelo menos, por uma dupla razão. Ele continua a mobilizar questões e temas, a despeito de quando foi escrito. Nas palavras de Calvino, “Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer” (CALVINO, 1993, p. 2). Mas como o clássico preserva essa contemporaneidade? Para Calvino, “É clássico aquilo que persiste como rumor mesmo onde predomina a atualidade mais incompatível” (CALVINO, 1993, p. 4). Ao se imporem como inesquecíveis ou se ocultarem na memória, os clássicos influenciam “mimetizando-se como inconsciente coletivo ou individual” (CALVINO, 1993, p. 1). Portanto, livros ou autores clássicos assim o são porque conseguem condensar a riqueza e a profundidade da objetivação humana em um determinado tempo. Ao conseguirem fazer isso, dialogam com a história futura, pois trazem à baila relações que contribuíram para a constituição do presente e do porvir.
Segundo Calvino, os clássicos só devem ser lidos por amor ou por respeito. A exceção, para o autor, constitui-se no ambiente escolar: “[...] a escola deve fazer com que você conheça bem ou mal um certo número de clássicos dentre os quais (ou em relação aos quais) você poderá depois reconhecer os ‘seus’ clássicos. A escola é obrigada a dar-lhe instrumentos para efetuar uma opção: mas as escolhas que contam são aquelas que ocorrem fora e depois de cada escola” (CALVINO, 1993, p. 3).
Ao seguir essa orientação, este projeto de extensão ratifica que os clássicos configuram-se como substância da formação cultural a ser garantida pela educação escolar (inclusive a universitária), pois é por meio da apropriação e do diálogo com eles que se pode desenvolver a autonomia intelectual.
São dois, os eixos de discussão que orientarão o estudo dos clássicos da Teoria Crítica. O primeiro diz respeito a aspectos filosóficos de sua produção intelectual, em especial sua concepção ontológica e gnosiológica. O segundo consiste na sua contribuição para a compreensão do fenômeno educacional no sentido lato e escolar.
Dentre os vários clássicos que influenciaram a Teoria Crítica, Karl Marx será o primeiro a ser estudado por meio deste projeto de curso de extensão. Por quê? A despeito de outras influências que sofreu, é dentro da tradição do marxismo ocidental que a Teoria Crítica se coloca. Portanto, é essa tradição que constitui a matriz fundamental da Teoria Crítica e a partir da qual a apropriação de outras influências ocorre.
III. Objetivos da Atividade:
4.1 Geral:
Desenvolver estudos sobre filosofia e educação, tendo como interlocutores os principais clássicos inspiradores da Teoria Crítica da Sociedade (Escola de Frankfurt), em especial Karl Marx.
4.2 Específicos:
Analisar a contribuição de Karl Marx no diálogo entre a Teoria Crítica da Sociedade, a Filosofia e o campo educacional;
Evidenciar a atualidades de pressupostos marxianos para o debate filosófico contemporâneo e para a compreensão dos fenômenos educacionais.
IV. Metas
Em 2010/1, o presente curso de extensão tem como meta abordar a teorização marxiana, partindo de aspectos históricos e biográficos de Karl Marx, as fontes inspiradoras de seus estudos (a economia política, a filosofia alemã e o socialismo utópico), obras de sua juventude (com particular destaque para os Manuscritos econômico-filosóficos de 1844) e sua ruptura com os jovens hegelianos (obras como A ideologia alemã e o texto Teses contra Feuerbach).
Em 2010/2, a meta do curso é centrar o estudo em obras como Para crítica da economia política, Crítica do Programa de Gotha e O capital.
V. Metodologia
5.1. Atividades Propostas:
Leitura de livros, periódicos acadêmicos;
Análise de filmes e documentários;
Elaboração de apontamentos sobre o material estudado;
Produção de seminário e artigos acadêmicos.
5.2. Procedimentos:
O curso consiste de dois momentos: 1) Encontros presenciais (quinzenais) com os Professores responsáveis, para debate e aprofundamento do material de estudo sugerido; 2) Trabalhos individuais/coletivos de leitura, estudo, sistematização e elaboração de apontamentos do material de estudo proposto em momento extra-aula.
5.3. Sistemas de Avaliação e Acompanhamento:
A avaliação do curso, dos professores e dos participantes será feita ao longo do ano em especial pelo procedimento dialógico e pelo registro escrito dos participantes. Para efeito de aprovação no curso, serão consideradas: 1) 75% de freqüência nos momentos presenciais; 2) elaboração de artigo acadêmico que problematize algumas das temáticas abordadas e do material utilizado como referência.
VI. Cronograma de Execução: (data de realização/etapas)
1° Módulo: 10.03.2010 a 07.07.2010
2° Módulo: 12.08.2010 a 15.12.2010
VII. Recursos:
7.1. Humanos
Prof. Coordenador-Administrativo – Dr Robson Loureiro (UFES)
Profª Coordenadora-Pedagógica – Drª Sandra Soares Della Fonte (UFES)
Profs Convidados – A serem confirmados;
Monitoras: Luciana Molina Queiroz (Acadêmica 5° período de Filosofia) e Tamiris Souza de Oliveira
7.2. Materiais
Sala de aula;
Equipamento multimídia: aparelho de DVD, computador com mouse, teclado, caixa de som; tela para exibição de imagens;
7.3. Financeiros (indicação da fonte e com planilha de custos, se houver)
O curso será gratuito (não haverá cobrança de qualquer tipo de taxa)
VIII. Resultados Esperados:
A partir dos estudos realizados no curso, o resultado esperado é a organização de uma brochura com os artigos elaborados pelos participantes, cujo objetivo é aprofundar a relação filosofia e educação a partir da teoria marxiana.
IX. Considerações Finais:
A universidade pública brasileira necessita prosseguir e perseguir sua tarefa precípua de formar intelectuais capazes de articular o passado, o presente e o futuro. Em tempos de multiculturalismo e defesa da diferença, é fundamental que a academia não reprima, não discrimine e não exclua, da discussão pública, os clássicos autores que estão na base do pensamento contemporâneo. Não deixa de ser atual a idéia do Filósofo medieval Bernardo de Chartres: “Somos anões empoleirados nos ombros de gigantes. Assim, vemos melhor e mais longe do que eles, não porque nossa vista seja mais aguda ou nossa estatura mais alta, mas porque eles nos elevam até o nível de toda a sua gigantesca altura...”. Quanto mais longe no passado, menos obscuro se torna nosso presente e menos bárbaro nosso futuro.
X Referências Bibliográficas
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______. Progresso. In: ______ . Palavras e sinais: modelos críticos 2. (Tradução de Maria Helena Ruschel). Petrópolis: Vozes, 1995b. p. 37-61.
______. Notas marginais sobre teoria e práxis. In: ______. Palavras e sinais: modelos críticos 2. (Tradução de Maria Helena Ruschel). Petrópolis: Vozes, 1995c. p. 202-229.
______. Observações sobre o pensamento filosófico. In: ______ . Palavras e Sinais: modelos críticos 2. (Tradução de Maria Helena Ruschel). Petrópolis: Vozes, 1995d. p. 15-25.
______. O que significa elaborar o passado. In: ______. Educação e emancipação. (Tradução de Wolgang Leo Maar). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995e. p. 29-50.
______. Tabus acerca do magistério. In: ______. Educação e emancipação. (Tradução de Wolgang Leo Maar). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995f. p. 97-118.
Adorno T. W. Educação e emancipação. In: ______. Educação e emancipação. (Tradução de Wolgang Leo Maar). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995g. p. 169-185.
______. Educação ... para quê? In: ______. Educação e emancipação. (Tradução de Wolfgang Leo Maar). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995h. p. 139-154.
______. Teoria da semicultura. (Tradução de Newton Ramos-de-Oliveira). Araraquara: UNESP, 1992. Mimeografado.
______. La idea de historia natural. In: ______. Actualidad de la filosofia. Barcelona: Paidós, 1991a. p. 103-134.
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______. Teoria estética. (Tradução de Artur Mourão). São Paulo: Martins Fontes, 1982.
______. Dialectica Negativa. (Versão em espanhol – Tradução de José Maria Ripalda). Madrid: Taurus, 1975.
ADORNO, T. W & HORKHEIMER, Max. Indústria cultural: o iluminismo como mistificação das massas. In: ADORNO, T. Indústria cultural e sociedade. São Paulo: Paz e Terra, 2002. p. 7-80.
______. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. (Tradução de Guido Antônio de Almeida). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.
CALVINO, Ítalo. Por que ler os clássicos. In: ______. Por que ler os clássicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1993. p. 9-16. Disponível em: <http://www.lumiarte.com/luardeoutono/calvino.html>. Acesso em: 27 março 2005.
LOUREIRO, Robson. Aversão à teoria e indigência da prática: crítica a partir da filosofia de Adorno. Educação & Sociedade, v. 28, n. 99, p. 522-541, 2007. Disponível em:
MAAR, Wolfgang Leo. Adorno: a atualidade da dialética. Margem esquerda: ensaios marxistas. São Paulo: Boitempo, n. 2, p. 112-120, nov. 2003 / maio 2004.
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MANACORDA, Mario Alighiero. História da educação: da Antigüidade aos nossos dias. (Tradução de Gaetano Lo Monaco) 5. ed. São Paulo: Cortez, 1996.
MARX, Karl. Crítica do Programa de Gotha. Disponível em: http://www.marxists.org/portugues/marx/1875/gotha/index.htm. Acesso em: 30.05.2007.
MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. (Tradução de Jesus Ranieri). São Paulo: Boitempo, 2004.
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______. Introdução à crítica da Economia Política. In: ______. Os pensadores. 4. ed. (Tradução de José Arthur Giannotti e Edgar Malagodi). São Paulo: Nova Cultural, 1987. p. 3-25. v. I.
______. O capital: crítica da economia política. (Tradução de Reginaldo Sant’Anna). Livro I. 10. ed. São Paulo: Difel, 1985. v. I.
SAVIANI, Dermeval. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. São Paulo: Cortez/ Autores Associados, 1991.
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