domingo, 14 de agosto de 2011

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O Leviatã sobe o Morro

Marcelo Lima 
Mestre e doutore em Educação,
Prof. Adjunto do DEPS/CE/UFES
email: mlufes@gmail.com



Estamos vivendo momentos inéditos na história brasileira. Assim como na passagem do feudalismo para modernidade, quando o liberalismo fez surgir o Estado Democrático de Direito, ente racional e instância de comando capaz de subsumir o poder teocrático da igreja e a capacidade bélica das monarquias decadentes na Europa na passagem dos séculos XVI, XVII e XVIII. Como explica Hobbes, para preservar os membros da sociedade da luta de todos contra todos, em nome da preservação da vida, da propriedade e da liberdade, ergue-se o Leviatã, figura mítica que se afirma na medida em que caça o direito dos indivíduos de resolverem por suas próprias iniciativas e pelo confronto direto, suas diferenças, suas desigualdades e suas discordâncias que passam a se submeterem apenas ao arbitramento da lei.

De modo não tão semelhante, mas de maneira identicamente inédita para cada época, vivemos o alvorecer do Estado brasileiro, sobretudo em lugares onde lei não existia, onde a modernidade e o Estado Democrático de Direito jamais tinha ocorrido. Com moradias ilegais, comércios ilegais e relacionamentos sociais mediados pela força e pela territorialidade, milhões de brasileiros, sobretudo, cariocas viviam e ainda vivem em favelas: lugares de habitações subnormais onde a paz se conquista vez pela violência vez pela subordinação.
Cidadãos brasileiros vivem há décadas sob o julgo dos meninos-senhores feudais do tráfico que com sandálias de dedo, fuzis e roupas de marca obrigam, em cada comunidade, milhares de trabalhadores e pessoas de bem a se submeterem à seus caprichos ocupando suas casas, violentando suas filhas e irmãs e definindo como deva ser o cotidiano de horários e locais desses cidadãos pagadores de impostos que precisam descer para o asfalto para verem funcionar a sagrada constituição brasileira que diz: a) todos são iguais perante a lei, b) todos tenho direito de ir vir e c) ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo se não em virtude da lei etc.

Hoje vemos o Estado subir o morro para exercer uma antiga prerrogativa, como dizia Max Weber: o monopólio legítimo da força sobre a completude do território brasileiro e para a totalidade dos homens e das mulheres desse país, que desde a proclamação da república lhe era devido, por isso o caráter inédito de sua ação. Mas há ainda alguns riscos: essa ação além de ter que ser permanente não pode se render ao espetacular e ao imediato eleitoreiro e virar evento cênico e cínico de governantes que venham se vangloriar de fazer aquilo que há décadas deveriam ter feito.

Outro risco é que no ímpeto hobbesiano, o leviatã venha agredir os direitos daqueles que não por escolha, mas por contingência, são vizinhos das bocas de fumo e de grupos criminosos e situam-se com filhos esposas e amigos num território de guerra e que podem vir a ter sua privacidade, sua intimidade e porque não sua propriedade e, sobretudo, sua segurança inviabilizada por quem deveria protegê-los. Por isso, a imprensa e o poder público devem conclamar os moradores dessas comunidades a abrirem voluntariamente suas casas em nome da pacificação, mas cabe lembrá-los que eles não são obrigados a isso.

Ainda vale lembrar que tudo isso poderá ser em vão se não houver no país uma ação jurídica permanente e abrangente capaz de responsabilizar e punir outros beneficiários - tubarões da lavagem de dinheiro - que vivem ostentando uma riqueza incompatível com suas atividades profissionais. Ou seja, se pudermos obrigar todo cidadão a provar a origem de seu patrimônio, estenderemos o braço do leviatã de Brasília ao complexo do alemão, passando pelos mega sonegadores-contrabandistas e importadores ilegais de armas que vivem nas favelas, mas também residem em muitos condomínios jamais visitados pelo BOPE.
Agora José Padilha terá que fazer um filme brasileiro com happy end tropa de elite III: o Estado contra o crime, pois a realidade ultrapassou a ficção!!!


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

11/11/2010


Universidade Pública e Universidade Popular é tema de debate na Ufes

Na próxima quarta-feira, dia 17/11, a partir das 19 horas, no Salão Rosa, ocorrerá o debate “Universidade Pública e Universidade Popular no Brasil”, com o professor Roberto Leher (UFRJ) e com representante da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF). A atividade é uma iniciativa do Curso de Pós-graduação em Economia Política e Desenvolvimento Agrário, realizado numa parceria entre a UFES e a ENFF.


MÚSICA DE CINEMA
MÚSICA ERUDITA
MÚSICA POP Inglaterra
MÚSICA ERUDITA - Ottawa Japão

AMOR E "MATERIALISMO" NA CHINA (COMUNISTA?)12/11/2010
International Herald Tribune
AMOR, MATERIALISMO E CHINA
Didi Kirsten Tatlow
Em Pequim (China)

Encontrando o amor entre as garotas materialistas
Didi Kirsten Tatlow

O dinheiro realmente pode comprar o amor na China – ou pelo menos esta parece ser uma crença comum neste país cada vez mais materialista. Muitas histórias pessoais parecem confirmar que o marido ideal é aquele que pode dar uma casa e um carro, entre outras coisas; o sentimento fica em segundo lugar. Mas apesar desse espírito mercantilista disseminado, nem todos pensam que é uma coisa boa. Uma série de peças, programas de televisão e filmes chineses tem levantado a pergunta: o que é o amor em uma era de crescimento econômico vertiginoso?


Muitos chineses ficaram chocados neste ano quando uma candidata em um popular programa de namoro na TV, “Se Você Fosse a Pessoa Certa”, anunciou: “Eu prefiro chorar em uma BMW do que sorrir em uma bicicleta”. Mas outros insistiram que a candidata, Ma Nuo, atualmente conhecida como a “mulher BMW”, estava apenas expressando uma realidade social.

A alta dos preços dos imóveis nos últimos anos contribuiu para esses sentimentos, com muitas pessoas em Pequim e em outras cidades aceitando a ideia de que uma mulher buscará o relacionamento com um homem apenas se ele já for dono de um apartamento.

Feng Yuan, 26 anos, que trabalha em uma empresa de educação do governo, tentou unir uma amiga a um homem que ela considerava um bom candidato.

“Quando ela soube que ele não era dono de um apartamento, ela nem mesmo quis conhecê-lo”, lembrou Feng. “Ela disse: ‘Qual o sentido? Sem um apartamento, o amor não é possível’.”

O medo alimenta essa postura. Após três décadas de crescimento rápido e desigual, há uma enorme ansiedade entre aqueles que sentem que estão ficando para trás, carentes de oportunidades e contatos para ganhar muito dinheiro, enquanto à volta deles outros prosperam e os preços sobem.

O novo credo pode ser duro, como um organizador de eventos culturais de 26 anos descobriu. O homem, que pediu anonimato para proteger sua privacidade, ganha cerca de 4 mil yuans, ou US$ 600, por mês, o que deixa fora de seu alcance até mesmo um apartamento modesto em um bairro deselegante de Pequim. Esses imóveis podem custar cerca de US$ 3 mil por metro quadrado. A inflação imobiliária é severa. Há dez anos, um apartamento semelhante custava aproximadamente US$ 345 por metro quadrado. Em vez disso, ele tentou impressionar sua namorada por três anos economizando por um ano para comprar um iPhone 3. O iPhone 4 mais novo –um alto símbolo de status– tinha acabado de ser lançado. Mas custando US$ 900, estava além do seu poder aquisitivo.

O telefone não bastou. Na semana passada, ela o deixou, citando a pressão de seus pais para encontrar um companheiro mais rico.

Ele está de coração partido, acreditando que, apesar de tudo, sua namorada realmente o amava. “Por que mais ela ficou comigo por três anos?” –apesar de morarem em um apartamento alugado. Mas ele também é filosófico.

“Eu entendo a situação dela e a pressão de sua família”, ele disse. “Eu também entendo que os pais dela querem que sua filha encontre alguém que possa dar a ela uma vida melhor.”

A única forma de encontrar o amor, ele disse, é ficar rico. “O mais importante para mim agora é trabalhar e ganhar mais”, disse. “Eu preciso ficar mais forte, sustentar a mim e aos meus pais, e então minha futura namorada poderá ter uma boa vida.”

Mas esses cálculos têm seus críticos. A postura durona de Ma, a mulher BMW, lhe rendeu uma leve reprimenda do diretor de cinema Zhang Yimou. Em uma entrevista no “The South China Morning Post”, um jornal de Hong Kong, ele pediu aos jovens que repensem seus valores.

“Eu não acho que o progresso econômico e a busca pelo amor excluem um ao outro”, ele disse.

Zhang, que fará 59 anos no domingo, representa uma geração mais velha que lembra de uma era maoísta mais igualitária, apesar de mais pobre e mais politicamente repressiva, antes das mudanças econômicas que causaram a luta pela promoção material.

Seu mais recente filme, “Under the Hawthorn Tree” (sob o espinheiro branco) descreve o amor inocente entre uma professora Jing Qiu, e um geólogo, Lao San. Situado em 1975, perto do final da Revolução Cultural, e sem nenhuma BMW em vista, o filme mostra a professora passando bastante tempo sorrindo na bicicleta de seu namorado. O amor é o lance, conclui o filme.

Outras produções se juntaram ao debate.

“Fight the Landlord” (combatendo o senhorio), uma peça de Sun Yue, que estreou em Xangai no mês passado, é outra defesa do amor em uma era de materialismo.

Uma personagem conhecida como B, importunada por uma sogra potencial a respeito de sua renda ordinária, grita: “Não pense que por eu não ter nada do que me orgulhar, você pode me insultar e me destruir!”

“Eu tenho minha dignidade e orgulho”, diz B, “e não quero transformar o amor, que prezo tanto, em algo vulgar e pálido!”

Um novo filme, “Color Me Love”, celebra o culto do materialismo, mas também termina meio que do lado do amor. Inspirado em “O Diabo Veste Prada” e commerchandising de produtos da Hermès, Versace e Diesel, ele conta a história da pobre e bela Fei ao chegar a Pequim como estagiária de uma revista de moda.

“Fei, um dia você entenderá”, alerta Zoe, sua editora glamourosa. “Nada é mais importante do que a pessoa com quem você passará o restante de sua vida.”

Um namoro tumultuado com um artista amalucado chamado Yihong acaba com o casal unido em Nova York. A imagem final a mostra nos braços dele, com um diamante no dedo. A verdadeira fantasia, talvez, seja amor com dinheiro.

Feng, que não conseguiu encontrar um par para sua amiga sem apartamento, disse que as exigências que muitas mulheres chinesas fazem aos seus potenciais pretendentes refletem fraqueza, não poder. Inferiores em status, elas temem não conseguir o que querem na vida, e procuram homens que possam propiciar isso a elas.

“As mulheres são muito dependentes”, ela disse. “A culpa é delas. Por que não podem trabalhar duro e comprar uma casa junto com seu homem? Mas muito poucas mulheres pensam assim atualmente.”

Assim como poucos homens chineses, reforçando as regras do jogo. Para o organizador de eventos de 26 anos, perder seu amor para o dinheiro foi justificado.

“Nós não precisávamos perder tempo em um relacionamento que estava condenado ao fracasso”, ele disse.
Tradução: George El Khouri Andolfato






segunda-feira, 8 de novembro de 2010

PRÓXIMO ENCONTRO

A próxima reunião/encontro do curso 5ªs Filosóficas será dia 18.11.2010.

MANIFESTAÇÃO ESTUDANTIL EM LONDRES
Música moderna

sábado, 30 de outubro de 2010

Por que Marx não era positivista?

Por que Marx não era Positivista?
 
 
O cinismo da razão desprovida de razão vigora no ambiente acadêmico e considera Marx positivista. Abaixo, alguns apontamentos contra essa razão cínica que age à revelia do conhecimento. Abaixo, alguns apontamentos que refutam essa tese.
 
Para o positivismo de Augusto Comte, o estado positivo (a ciência, a indústria e o capitalismo) e as ciências do homem (ciências humanas), em particular a Física Social ou Sociologia, operam com leis universais e necessárias. A sociedade tem leis, tal como as leis da natureza. Compreender o funcionamento dessas leis é poder controlar e prever os acontecimentos sociais. Há uma ordem na natureza e essa ordem deve acompanhar o funcionamento da sociedade; só haverá progresso se houver ordem. Isso significa que não é possível modificar situações de opressão social, de exploração de uma classe por outra, tal como defendera Marx. O que se espera é que haja harmonização dos conflitos sociais, dar continuidade ao estado de exploração e opressão de uma classe social sobre a outra. Para o fundador do positivismo, o que vale é a manutenção da ordem social estabelecida. O capitalismo é, pois, o � �ltimo estágio, o ápice da evolução do pensamento da humanidade. Em outras palavras, Comte acreditava na submissão dos trabalhadores aos capitalistas, de tal forma, que sua doutrina positivista cumpriria a função reguladora e preparadora dos proprietários capazes de convencer os trabalhadores a respeitarem e mesmo reforçar "as leis naturais" da concentração do poder e da riqueza. Marx, no primeiro livro de O Capital, escreveu: “Augusto Comte e sua escola procuraram demonstrar a eterna necessidade dos senhores do capital; eles queriam tão bem quanto e com as mesmas razões, demonstrar a eterna necessidade dos senhores feudais” (p. 631). Ao invés de leis deterministas, que operam dentro da lógica formal, Marx afirmou que o que há são leis de tendência.
 
Para Marx, a história não é concebida como o desenvolvimento linear do pensamento, mas, da ação dinâmica e contraditória dos conflitos vivos entre grupos sociais. Marx não pretende, assim como Comte, criar uma teoria de reconstrução das crenças morais da sociedade. Enquanto Comte deseja manter os interesses e conquistas dos burgueses, dos capitalistas e argumenta que os trabalhadores devem manter-se resignados e aprender com as mulheres (consideradas naturalmente inferiores e fracas em relação aos homens), Marx, ao contrário, defendeu ativamente a emancipação geral: não de um indivíduo, grupo, etnia, classe social ou casta. Ele apenas identificou que essa emancipação geral não seria alcançada por nenhuma lei da boa vontade e não chegaria dos céus, mas, deveria haver um processo de enfrentamento das forças hegemônicas (políticas e econômicas).
 
Marx opera no âmbito de uma ontologia do ser social e Comte a partir de uma teologia profana e de uma ciência ideologizada - cientificismo - a partir de uma lógica formal que concebe a história como algo linear, cumulativa, que caminha sempre para o melhor e da ideia de neutralidade científica.

Marx, diferente de Comte, considera que a ciência não está acima do bem e do mal, portanto não é neutra mas é apropriada pelos interesses hegemônicos (econômicos e políticos) da sociedade. A partir de Hegel, ele concebe a história como sendo produzida por homens e mulheres em condições determinadas de produção social da existência que por sua vez também determinam a existência individual. Portanto, enquanto Comte afirma que a história é fruto da evolução do espírito ou pensamento humano, Marx considera que a história é o resultado de forças opostas que se enfrentam no ambito dos antagonismos presentes na produção e nas relações de produção. Nesse sentido, não é o pensamento, não é a ideia que produz o mundo, mas o contrário, o mundo que efetivamente existe - o mundo social e natural - é que produz o pensamento e as ideias.

Para ele a dialética - tese, antítese, síntese - opera por meios de categorias próprias da realidade social, dentre elas a contradição ou princípio da contradição. A apropriação do conhecimento científico e tecnológico pela classe que detém os meios de produção da existência social, ao invés de produzir uma sociedade mais plena, com progresso para todos, ao contrário, produz a danificação da vida de milhares de pessoas e da própria natureza como um todo. Assim, enquanto o positivista Augusto Comte defende a harmonia social, ou seja, a ordem institucional, que significa obediência às leis do Estado burguês, o materia lista e dialético Marx, pelo contrário, afirma que a realidade é movida pelo conflito que gera a transformação para algo novo. Sendo assim, ele é contra qualquer tipo de opressão social e a divisão da sociedade em classes sociais com interesses antagônicos e divergentes.

Mas, como disse no início, talvez, o que vigora, aquilo que é mais senso comum, até mesmo entre alguns intelectuais, são argumentos falaciosos que tentam desmerecer a filosofia de Marx que, com certeza, apresenta pontos que merecem ser devidamente criticados, mas a partir de um esforço acadêmico que transpõe o cômodo lugar da reprodução sensocomunizada de determinadas falácias. Por essa razão, considerar Marx positivista é, definitivamente, no mínimo, preguiça intelectual. Esse tipo de preguiça não acomete apenas a intelligentsa nacional, mas, é fenômeno internacional.

sábado, 23 de outubro de 2010

Encontro dia 28.10.2010 - Por que Marx não era positivista?


Foto de Sebastião Salgado
No nosso próximo encontro daremos continuidade às discussões em torno dos seguintes temas e, o Hauseaufgaben - "dever de casa" será:

1) Por que Marx não era positivista? Evidenciar elementos que deslegitimam a tese, muito recorrente por parte de intelectuais que tentam desqualificar a teoria marxiana (de Marx), de que Marx era positivista;
2) Eleger um problema a partir dos textos estudados, dos debates/discussões ao longo do curso para produzir o artigo. Lembrar que o prazo para entregar esse artigo deve ser até o final do mês de novembro (informações sobre a formatação seguem abaixo)

OUTROS

Prosseguiremos com a discussão em torno da relação entre estrutura e superestrutura.

INFORMAÇÕES SOBRE A FORMATAÇÃO DO ARTIGO (p/ o final de novembro)

Mínimo de cinco, máximo 10 laudas (páginas). Fonte Times NewRoman, tamanho 12. Espaço 1.5 entre linhas. Margens: 2.5, esq/dir e sup/inf.
Título do trabalho centralizado. Abaixo (3 toques) nome do/a autor/a
Resumo: máximo dez linhas (conter o problema, o objetivo, alguma possível hipótese reflexiva, resultados da reflexão)
Palavras-chave: três a cinco

Na introdução, é interessante indicar o percurso (narrativa de construção) do problema e qual o objetivo do artigo e se há alguma hipótese que sustenta a reflexão proposta. Apontar a lógica argumentativa utilizada para a produção do artigo.






quinta-feira, 5 de agosto de 2010

CALENDÁRIO DO CURSO 5ªs FILOSÓFICAS 2010.2

Nosso primeiro encontro, nesse semestre (2010/2), será na próxima 5ª feira, dia 12.08, na sala 25 - IC-IV, 2º piso.

CALENDÁRIO 2010.2

12 e 26.08.2010
09 e 23.09.2010 - Sala 4 IC-IV
07 e 21.10.2010 - Sala 4 IC-IV

04 e 18.11.2010 - Sala 4 IC-IV

02.12.2010 - Sala 4 IC-IV

TEXTO PARA DEBATE

Feuerbach - Oposição entre concepção materialista e idealista, p. 183-214 - In: Marx e Engels: História. [Organização de Florestan Fernandes] 3. ed. São Paulo: Ática, 1989. Está na pasta do curso, na fotocopiadora do IC-IV.
Bons estudos!
Att,
Prof. Robson
Profª Sandra


domingo, 16 de maio de 2010

Próximas Reuniões do Curso de Extensão - 27.05 e 03.06.2010

Prometeu acorrentado
Nicolas Sebastien Adam (1762)


ATENÇÃO

Nossas próximas reuniões serão nos dias 27.05 e 03.06.2010, nas quais daremos continuidade à leitura e estudo dos Manuscritos.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

TRADUTORE - TRAIDORE

Já é quase senso comum aquela célebre máxima latina, que muito incomoda os intelectuais - tradutore, traidore. Isto é, a tradução é uma potencial traição à língua original da obra. Nesse sentido, fizemos a opção de apresentar a tradução dos Manuscritos Econômico-Filosóficos publicado pela BoiTempo Editorial, pois, em princípio, trata-se de um trabalho bem organizado, o que não significa que não haja problemas, como em toda e qualquer traição, digo, tradução. Sem contar, também, que teríamos que fragmentar muito o trabalho de fotocopiar os textos.
Comentários sobre a tradução do Jesus Ranieri, de algumas breves passagens dos Manuscritos (BoiTempo Editorial) e comparação com a tradução da equipe do Florestan Fernandes, publicação da Editora Ática (Marx/Engels – História, Coleção Grandes Cientistas Sociais).

  • BoiTempo - p. 79 – Trabalho estranhado [Die entfremdete Arbeit] –
- Florestan - na tradução realizada por Florestan Fernandes, Viktor Von Ehrenreich, Flávio René Kothe, Régis Barbosa e Mário Curvello, da coleção Grandes Cientistas Sociais (Ática), eles optaram por traduzir entfremdete Arbeit por Trabalho Alienado, ao invés de Trabalho Estranhado.
  • BoiTempo - Ainda na p. 79 / XXII /, onde se lê “Partimos dos pressupostos da economia nacional” (Wir sind ausgegangen von den Voraussetzungen der Nationalökonomie) –
- Florestan - Essa passagem ficou assim traduzida, na edição organizada e traduzida pelo Florestan Fernandes: Partimos dos pressupostos da Economia Política. Se a tradução fosse ipsis literis (ao pé da letra), Nationalökonomie deveria ser economia nacional. Não obstante, Marx referia-se á Economia Política. Nesse sentido, a “traição” realizada pela equipe do Florestan parece ser mais apropriada.

Tudo indica que, nessas duas passagens, a tradução menos traidora do sentido é a da equipe do Florestan. Quem tiver interesse em ler o original, acessar Ökonomisch-philosophische Manuskripte (MARX, Karl).

Essas observações não desmerecem, em hipótese alguma, o trabalho realizado por Jesus Ranieri, tradutor dos Manuscritos publicado pela BoiTempo. As observações aqui apresentadas expressam apenas a dificuldade que é a atividade de tradução e como ela envolve uma dimensão existencial, política, cultural, afetiva que vai além da mera transposição de expressões de uma língua para outra. 

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Próxima reunião Quintas Filosóficas - 06.05.2010 (Sala 4 - IC-IV/CE)

No encontro de ontem fomos presenteados com a participação especial dos professores Vinícius e Rogério que realizaram uma qualificada intervenção no tratamento da temática sobre a Economia Política e as influências teóricas de Marx, no âmbito da economia.
Para o próximo encontro (06.05), a discussão será em torno dos manuscritos econômico-filosóficos (material encontra-se na fotocopiadora do IC-IV, no CE/UFES).
***
É fundamental a leitura prévia do material para que possamos acompanhar a exposição e o debate.
****
Por mais que tenhamos a ansiedade de prospectivar os problemas, propomos uma atenção especial ao texto e à compreensão do mesmo. Isso não significa que a prospecção não seja importante, mas, que o zelo na compreensão dos elementos, conceitos, categorias presentes nos argumentos do autor são condição sine qua non para qualquer manifestação especulativa (se: passado ou futuro), criativa (produção de novos conceitos), imaginativa (construção de intuições imagéticas). Aliás, aí está um dos segredos de Marx, a interlocução com os intelectuais de seu tempo, mas, a partir de uma perspectiva de apropriação, incorpore-ação de categorias analíticas, conceitos, etc. Não obstante, isso não é mérito apenas de Marx, mas de tantos outros intelectuais, filósofos, artistas, cientistas etc.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Texto base para a reunião do dia 22.04.2010

Nosso próximo encontro será coordenado pelos Profs. Vinícius Vieira Pereira e Prof. Dr. Rogério Faleiros. O Professor Vinícius é bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Mato Grosso e Mestre em Economia pela UFES. Atualmente desenvolve pesquisa na área de  História Econômica e ministra a disciplina Formação e desenvolvimento do capitalismo no curso de Ciências Econômicas da UFES. O Professor Faleiros é formado em História pela Unesp, com mestrado e doutorado em Economia pela Unicamp, também desenvolve pesquia na área de História Econômica/Desenvolvimento Econômico e ministra as disciplinas Formação Econômica do Capitalismo Contemporâneo e Pensamento Econômico Político e Social Brasileiro. O Professor Rogério propõe  O pioneirismo de Smith, como texto introdutório à discussão que será realizada.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Próximos encontros das QUINTAS FILOSÓFICAS - Clássicos da Teoria Crítica da Sociedade: diálogos com a filosofia e a educação a partir de Marx

Encontro do dia 22.04.2010 - Economia política inglesa
Para reforçar, o encontro do dia 22.04.2010 será na sala 4, 1° piso do IC-IV, Centro de Educação - 14h às 18h. Teremos como convidado o Professor Vinícius e Prof. Rogério, ambos do Curso de Ciências Econômicas da UFES.

Encontro do dia 06.05.2010 - Manuscritos econômico-filosóficos

Os textos relativos aos Manuscritos econômico-filosóficos já estão na pasta do curso Quintas Filosóficas, na fotocopiadora do Márcio, no 1° piso do IC-IV. O fato de haver diferença nas traduções requer cuidado no momento de escolher a editora. Nesse sentido, a edição que vamos utilizar é da Boitempo Editorial, com tradução de Jesus Ranieri. Os textos são:

1) Trabalho estranhado e propriedade privada, p. 79-90;
2) Complemento ao caderno II, página XXXVI [Propriedade privada e trabalho], p. 103-114;
3) p. 126-137;
4) Propriedade privada e carências, p. 139-144.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Alteração na Programação - Socialistas Utópicos para dia 08.04.2010


No nosso próximo encontro, dia 08.04.2010, a discussão será em torno dos SOCIALISTAS UTÓPICOS. No dia 22.04.2010 finalizamos as Três fontes do marxismo com A ECONOMIA POLÍTICA INGLESA.


  • Por favor, leiam com atenção as mensagens de email, para que não haja problemas de compreensão e conflito de informações.
  • Quem tiver interesse em aprofundar leituras acessar: http://www.unicamp.br/cemarx/criticamarxista/bibliotecavirtual.html,ou http://www.unicamp.br/cemarx/criticamarxista/numante.html; http://textosmarxistas.blogs.sapo.pt/9972.html


sexta-feira, 26 de março de 2010

ENCONTRO DO DIA 25.03.2010 - Prof. Dr. Maurício Abdalla

Olá,

Em continuidade aos trabalhos do curso, e na sequência do nosso cronograma, ontem tivemos a presença (25.03.2010) e o privilégio de assistir à brilhante intervenção do Prof. Dr. Maurício Abdalla Guerrieri, que abordou elementos da filosofia de F. Hegel, uma das principais fontes da filosofia marxiana (de Marx).
  • TEXTOS SOBRE HEGEL

A Filosofia de Hegel

  
Ronie Silveira

Georg Wilhelm Friedrich Hegel nasceu em Stuttgart na Alemanha em 27 de agosto de 1770 e faleceu em Berlin em 1830. Em 1788 entrou para um seminário de teologia protestante em Tübingen. Nesse seminário travou amizade com Schelling e Hölderlin. Em 1793 Hegel renunciou à profissão de pastor e até 1796 trabalhou como preceptor em Berna, na Suíça. Depois disso, mudou-se para Frankfurt onde permaneceu até 1800 - ainda como preceptor. Em 1801 ingressou como livre-docente da Universidade de Jena e em 1816 foi nomeado professor na Universidade de Heildeberg. Em 1818 transferiu-se para a Universidade de Berlim da qual se tornou reitor em 1829.

O objetivo que impulsionou originalmente a Filosofia de Hegel foi a reconstituição de um ideal cristalizado na imagem da Grécia Antiga. Esse ideal personificava a busca da liberdade. Não a liberdade subjetiva e privada como nós a entendemos hoje. O que esse ideal personificava era uma noção de liberdade completa sem a presença da alteridade e da diferença. Uma liberdade, portanto, que pelas suas próprias características implicava uma consumação ligada ao infinito: sua realização deveria eliminar toda espécie de separação entre as dimensões da vida. Assim, em contraposição a um presente caracterizado pela cisão entre governados e governantes, entre Deus e os homens e entre Política e Religião, a Grécia Antiga representava, para Hegel e muitos de sua geração, um ideal de harmonia e de identidade entre esses vários aspectos. Liberdade, então significava uma vida plena ou o reestabelecimento da juventude perdida da civilização ocidental.

Entretanto, o amadurecimento do pensamento de Hegel conduziu-o a uma posição diferente e antagônica com relação à restauração do mundo grego. A noção de retorno cedeu terreno ao reconhecimento da riqueza e da peculiaridade do presente histórico. Também tornou-se evidente a precariedade da liberdade antiga. Mesmo abandonando a busca pela restauração da Grécia Antiga, o objetivo da liberdade ou da vida plena permaneceu orientando a Filosofia de Hegel em sua formulação definitiva.
Se queremos eliminar toda a exclusão, devemos iniciar por aquela que está presente no modo como o conhecimento ocorre. Assim, o que sei é algo que sei de outra coisa, de algo real. Então, o que sei não é a própria realidade, mas um saber relativo a ela. Todo saber está, portanto, fora do ser. Quando conhecemos produzimos uma alienação, uma diferença entre o saber e o ser. Se entendermos o conhecimento dessa maneira, fazemos proliferar essa diferença e essa alienação. A necessidade de eliminação dessa alienação levou Hegel a formular uma noção muito peculiar de conhecimento. O motivo que leva o conhecimento a se constituir como um saber fora do ser é a consciência. É porque a consciência não é o objeto do conhecimento que sua apreensão do ser produz outra coisa que não o próprio ser. Mesmo quando a consciência reflete sobre si mesma, ela se toma como se fosse outra e, portanto, seu saber sobre si mesma ainda é um saber diferente do que ela é. Mas Hegel não proporá que eliminemos a consciência para evitar a alienação. Isso significaria afirmar que o verdadeiro conhecimento deve ser operado por outras modalidades que não aquelas próprias da consciência – como o sentimento ou a emoção, por exemplo. Hegel não cai nessa armadilha da irracionalidade. Ele afirmará que a consciência deve ser conduzida a um estágio no qual não haja mais a alienação – mas isso deve ser produto do esforço da consciência e não sua negação.
Esse processo pelo qual a consciência parte de um hipotético estado bruto e chega a identificar o saber com o ser é descrito por Hegel na Fenomenologia do Espírito. O saber absoluto é um saber de si, isto é, ele é um conhecimento que não produz um saber exterior àquilo que é conhecido. Para que isso possa ocorrer, o conhecimento não pode ser diferente da realidade ou o contrário: o modo como as coisas são é o mesmo modo pelo qual elas são conhecidas. Mas isso obviamente é muito diferente do conhecimento empírico com o qual estamos habituados a lidar no nosso cotidiano.


A TEORIA CRÍTICA VAI AO CINEMA



LOUREIRO, Robson & ZUIN, Antônio Álvaro Soares (Orgs.)

 
Publicação: 2010
Páginas: 233
Acessar: http://www.secretariadecultura.ufes.br/editora_catalogo.php?id_menu=47






INDÚSTRIA CULTURAL E EDUCAÇÃO EM TEMPOS "PÓS-MODERNOS"



Autores: Robson Loureiro/Sandra S. Della Fonte;
Editora: Papirus Editora Edição: 01
Área: Educação
Coleção: Papirus educação Código: 978853080713 ISBN: 85-308-0713-8
Lançamento: 30/05/2003
Ano 1ª Edição: 2003
Acabamento: Colado e costurado
Encadernação: brochura
Nº Páginas: 112 Orelha: Sim
Público Alvo: Acadêmicos do campo das Ciências Humanas, Filosofia e Artes

  • Sinopse

Quando se tenta caracterizar a sociedade contemporânea, geralmente se recorre ao termo "pós-moderno". Estamos vivendo em uma era de acelerado desenvolvimento tecnológico, em que a máquina perdeu seu lugar de destaque para a informação. Jogos eletrônicos, programas televisivos, vídeos e Internet passaram a fazer parte de nosso cotidiano, disseminando idéias, conhecimentos, hábitos, juízos éticos e estéticos que influenciam nossa maneira de ver e de lidar com a realidade. Nesse livro, os autores refletem sobre os desafios enfrentados pela educação escolar nesse cenário. Inserida na lógica da indústria cultural, a produção imagética acaba por transmitir valores vinculados ao consumo. Uma leitura crítica da imagem implica a decodificação dos interesses sociais nela presentes e a possibilidade de outras leituras, de interpretações variadas. Dentro dos limites que enfrenta e das contradições sociais existentes, a escola deve participar do esforço de formação de cidadãos críticos, conscientes, na contracorrente das forças de mercantilização da cultura e da vida.

  • Sumário
INTRODUÇÃO


1. EDUCAÇÃO EM "TEMPO PÓS-MODERNO": QUE TEMPO É ESSE?


O discurso pós-moderno na educação
Sobre o conceito de pós-modernidade
Pós-modernidade: O mal-estar na modernidade


2. O PAPEL PEDAGÓGICO DOS MEDIA IMAGÉTICO-ELETRÔNICOS NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA


A mundialização da imagem
A fetichização da mídia imagético-eletrônica
Mídia imagético-eletrônica: O fetiche da imagem e a pseudo-democracia ocidental
Os monopólios televisivos no Brasil


3. INDÚSTRIA CULTURAL E EDUCAÇÃO: ENTRE A FORMAÇÃO E A SEMIFORMAÇÃO


Indústria cultural: Rastreando o conceito
Os pequenos cidadãos-clientes
Pokemon: O filme
Indústria cultural e a lógica do mercado: Consumo, logo existo!
Crítica à passividade total: O espectador e a indústria cultural

4. INDÚSTRIA CULTURAL E EDUCAÇÃO: É POSSÍVEL UMA EDUCAÇÃO DOS SENTIDOS?

Os sentidos humanos: Rumo a uma educação estética
Estética e a "era da imagem"
Cinema e a "educação do olhar"
Notas sobre o cinema na teoria crítica
Educação escolar e lazer

CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS







sábado, 20 de março de 2010

INFORMES


  • MONITORAS DO NEPEFIL
Esquecemos de apresentar a Luciana, que também, junto com Tamiris, é monitora do NEPEFIL.

  • BLOG DO CURSO: Para quem desejar refrescar a memória, pode conferir http://classicosdateoriacritica.blogspot.com/ - em particular:
• PROJETO DE CURSO QUINTAS FILOSÓFICAS - Os clássico...

• SÉCULO XIX - ASPECTOS HISTÓRICOS

• Karl Marx - Apontamentos Biográficos

• CARTA DE KARL MARX AO PAI EM TRIER - 1837

  • PRÓXIMO ENCONTRO: 25.03.2010 - Teremos a participação de mais um colega/Professor, fundador do NEPEFIL. Ele vai tecer considerações sobre a Filosofia de F. Hegel;

  • ATENÇÃO: Nosso próximo encontro será na sala 25, 2° piso do prédio do IC-IV, Centro de Educação. A sala 25 é a última do corredor, no 2° piso próxima ao toilet masculino. Solicitamos chegar no horário, 14h.

Boaventura de Souza Santos - Guinada à esquerda?

Carta Maior
Quarta-feira, 24 de setembro de 2008
DEBATE ABERTO

Boaventura de Sousa Santos

  • O impensável aconteceu
O Estado deixou de ser o problema para voltar a ser a solução; cada país tem o direito de fazer prevalecer o que entende ser o interesse nacional contra os ditames da globalização; o mercado não é, por si, racional e eficiente, apenas sabe racionalizar a sua irracionalidade e ineficiência enquanto estas não atingirem o nível de auto-destruição.

A palavra não aparece na mídia norte-americana, mas é disso que se trata: nacionalização. Perante as falências ocorridas, anunciadas ou iminentes de importantes bancos de investimento, das duas maiores sociedades hipotecárias do país e da maior seguradora do mundo, o governo dos EUA decidiu assumir o controle direto de uma parte importante do sistema financeiro.
A medida não é inédita, pois o Governo interveio em outros momentos de crise profunda: em 1792 (no mandato do primeiro presidente do país), em 1907 (neste caso, o papel central na resolução da crise coube ao grande banco de então, J.P. Morgan, hoje, Morgan Stanley, também em risco), em 1929 (a grande depressão que durou até à Segunda Guerra Mundial: em 1933, 1000 norte americanos por dia perdiam as suas casas a favor dos bancos) e 1985 (a crise das sociedades de poupança).
O que é novo na intervenção em curso é a sua magnitude e o fato de ela ocorrer ao fim de trinta anos de evangelização neoliberal conduzida com mão de ferro a nível global pelos EUA e pelas instituições financeiras por eles controladas, FMI e o Banco Mundial: mercados livres e, porque livres, eficientes; privatizações; desregulamentação; Estado fora da economia porque inerentemente corrupto e ineficiente; eliminação de restrições à acumulação de riqueza e à correspondente produção de miséria social.
Foi com estas receitas que se 'resolveram' as crises financeiras da América Latina e da Ásia e que se impuseram ajustamentos estruturais em dezenas de países. Foi também com elas que milhões de pessoas foram lançadas no desemprego, perderam as suas terras ou os seus direitos laborais, tiveram de emigrar.
À luz disto, o impensável aconteceu: o Estado deixou de ser o problema para voltar a ser a solução; cada país tem o direito de fazer prevalecer o que entende ser o interesse nacional contra os ditames da globalização; o mercado não é, por si, racional e eficiente, apenas sabe racionalizar a sua irracionalidade e ineficiência enquanto estas não atingirem o nível de auto-destruição; o capital tem sempre o Estado à sua disposição e, consoante os ciclos, ora por via da regulação ora por via da desregulação. Esta não é a crise final do capitalismo e, mesmo se fosse, talvez a esquerda não soubesse o que fazer dela, tão generalizada foi a sua conversão ao evangelho neoliberal.
Muito continuará como dantes: o espírito individualista, egoísta e anti-social que anima o capitalismo; o fato de que a fatura das crises é sempre paga por quem nada contribuiu para elas, a esmagadora maioria dos cidadãos, já que é com seu dinheiro que o Estado intervém e muitos perdem o emprego, a casa e a pensão.
Mas muito mais mudará. Primeiro, o declínio dos EUA como potência mundial atinge um novo patamar. Este país acaba de ser vítima das armas de destruição financeira massiça com que agrediu tantos países nas últimas décadas e a decisão 'soberana' de se defender foi afinal induzida pela pressão dos seus credores estrangeiros (sobretudo chineses) que ameaçaram com uma fuga que seria devastadora para o actual american way of life.
Segundo, o FMI e o Banco Mundial deixaram de ter qualquer autoridade para impor as suas receitas, pois sempre usaram como bitola uma economia que se revela agora fantasma. A hipocrisia dos critérios duplos (uns válidos para os países do Norte global e outros válidos para os países do Sul global) está exposta com uma crueza chocante. Daqui em diante, a primazia do interesse nacional pode ditar, não só proteção e regulação específicas, como também taxas de juro subsidiadas para apoiar indústrias em perigo (como as que o Congresso dos EUA acaba de aprovar para o setor automóvel).
Não estamos perante uma desglobalização mas estamos certamente perante uma nova globalização pós-neoliberal internamente muito mais diversificada. Emergem novos regionalismos, já hoje presentes na África e na Ásia mas sobretudo importantes na América Latina, como o agora consolidado com a criação da União das Nações Sul-Americanas e do Banco do Sul. Por sua vez, a União Européia, o regionalismo mais avançado, terá que mudar o curso neoliberal da atual Comissão sob pena de ter o mesmo destino dos EUA.
Terceiro, as políticas de privatização da segurança social ficam desacreditadas: é eticamente monstruoso que seja possível acumular lucros fabulosos com o dinheiro de milhões trabalhadores humildes e abandonar estes à sua sorte quando a especulação dá errado. Quarto, o Estado que regressa como solução é o mesmo Estado que foi moral e institucionalmente destruído pelo neoliberalismo, o qual tudo fez para que sua profecia se cumprisse: transformar o Estado num antro de corrupção.
Isto significa que se o Estado não for profundamente reformado e democratizado em breve será, agora sim, um problema sem solução. Quinto, as mudanças na globalização hegemônica vão provocar mudanças na globalização dos movimentos sociais que vão certamente se refletir no Fórum Social Mundial: a nova centralidade das lutas nacionais e regionais; as relações com Estados e partidos progressistas e as lutas pela refundação democrática do Estado; contradições entre classes nacionais e transnacionais e as políticas de alianças.
Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3981

Sobre a crise financeira do capitalismo - Karl Marx




"Em um sistema de produção em que toda a trama do processo de reprodução repousa sobre o crédito, quando este cessa repentinamente e somente se admitem pagamentos em dinheiro, tem que produzir-se imediatamente uma crise, uma demanda forte e atropelada de meios de pagamento.

Por isso, à primeira vista, a crise aparece como uma simples crise de crédito e de dinheiro líquido. E, em realidade, trata-se somente da conversão de letras de câmbio em dinheiro. Mas essas letras representam, em sua maioria, compras e vendas reais, as quais, ao sentirem a necessidade de expandir-se amplamente, acabam servindo de base a toda a crise.
Mas, ao lado disto, há uma massa enorme dessas letras que só representam negócios de especulação, que agora se desnudam e explodem como bolhas de sabão, ademais, especulações sobre capitais alheios, mas fracassadas; finalmente, capitais-mercadorias desvalorizados ou até encalhados, ou um refluxo de capital já irrealizável. E todo esse sistema artificial de extensão violenta do processo de reprodução não pode corrigir-se, naturalmente. O Banco da Inglaterra, por exemplo, entregue aos especuladores, com seus bônus, o capital que lhes falta, impede que comprem todas as mercadorias desvalorizadas por seus antigos valores nominais.
No mais, aqui tudo aparece invertido, pois num mundo feito de papel não se revelam nunca o preço real e seus fatores, mas sim somente barras, dinheiro metálico, bônus bancários, letras de câmbio, títulos e valores.
E esta inversão se manifesta em todos os lugares onde se condensa o negócio de dinheiro do país, como ocorre em Londres; todo o processo aparece como inexplicável, menos nos locais mesmos da produção."

Fragmento de "O Capital", Volume 3, Capítulo 30, Capital-dinheiro e capital efetivo, Karl Marx.